segunda-feira, 30 de abril de 2007

Quadro Abstrato

Outro dia eu estava vendo um programa de TV (sem censura/ TVE) e uma pesquisadora e filósofa cujo nome não recordo, falou algo que eu já tinha pensado antes, mas que nunca tinha percebido a profundidade com que isso podia ser levado em consideração. Uma vez, com seus sete anos de idade, ela fez uma pergunta à sua professora: “Professora, quem é que me garante que o verde que eu vejo é o mesmo verde que as outras pessoas vêem?” Durante o relato, ela contou que a professora ficou sem saber o que responder. Hoje, depois de tantos anos, ela sabe que a resposta é que cada pessoa tem uma maneira particular de enxergar as coisas, ou seja, o verde que eu vejo não é o mesmo verde que os outros vêem.

É como se a vida fosse uma exposição de quadros. Tudo o que há em sua volta é simplesmente o esboço de um quadro abstrato, e você tem a liberdade de aperfeiçoar da forma que achar melhor. Algumas pessoas colocam muitas cores e fazem do seu “quadro abstrato” uma paisagem bastante viva e agradável. Outras pessoas preferem preencher apenas alguns espaços com cor, deixando o resto para que o tempo faça. Há ainda aqueles que não mexem em nada, e preferem deixar tudo em preto e branco. Outras gostam de uma arte mais bizarra e com a sua criatividade acabam fugindo dos padrões, colocando acessórios que um artista de verdade nunca havia pensado.

Depois do quadro pronto, é a hora de interpretar e mostrar às pessoas. Os donos dos quadros bizarros terão muito a dizer e chamarão bastante a atenção de todos, assim como aqueles que colocaram muitas cores, mas esses serão menos questionados. Já aqueles que não preencheram todo o espaço, terão algumas controvérsias ou talvez dificuldade para transmitir sua idéia. Por sua vez, aqueles que preferiram deixar tudo em preto e branco, serão, de certa forma, esquecidos. No entanto, isso não exclui a possibilidade de conquistarem alguns admiradores.

Na exposição, haverá muitas pessoas interessadas em entender, estudar e questionar a obra de arte de cada um, assim como também haverá os apáticos, que estão nesse evento apenas por obrigação. Vale lembrar que aqueles que estão visitando também têm os seus quadros (prontos ou não). Entre todas essas pessoas, existem as que nasceram com o dom artístico, outras buscam dentro de si a inspiração, outras acabam não se dedicando tanto e outras simplesmente não querem viver a arte.

E assim, a exposição continua. Algumas pessoas se preocupam muito com o quadro de outras e querem questionar tudo e impor sua opinião. Outras dão algumas dicas, e dizem como fariam para melhorar isto ou aquilo. Além de opiniões, há também interpretações variadas. Os que são capazes de ouvir e aceitar críticas, opiniões e as diversas interpretações, sem dúvida, conseguirão se dar bem e talvez comecem a crescer cada vez mais na arte. No entanto, aqueles que se consideram auto-suficientes e bons o bastante para seguir sozinhos, não serão tão bem-sucedidos como acreditam. Isso porque ainda não são maduros o suficiente para entender que existem várias formas de enxergar as cores, e só porque eles vêem de uma forma, isso não quer dizer que os outros não possam ver o oposto.

E assim, tudo se completa. No final das contas, cada um que esteve presente na exposição, aprendeu alguma coisa. Assim é a vida. E enquanto ela transcorre, podemos assumir o papel de pintor e visitante da exposição. Aqueles que só conseguem um papel, acabam sendo infelizes. Mas aqueles que conseguem fazer um balanço entre os dois, conseguem se dar bem.


Que bom seria se o objetivo de todas as pessoas fosse o mesmo: buscar dentro de si a inspiração necessária para compor o quadro abstrato da vida...

"A vida tem a cor que você pinta!"

4 comentários:

  1. totalmente metaforico esse post hein? haha
    mas isso é filosofia, é um quase porque das coisas, é ver um problema ou solução de formas diferente. Cada um tem seu modo de pensar, suas ligações neurais, e mesmo vc com as mesmas ligações neurais suas conclusões são de certo modo aleatórias, pq vc poderia chegar a uma outra conclusão dependendo da modificação de alguma outra variável, ou peso sinaptico... mas bem haha isso já é coisa de rede neural, mas tem tudo a ver nessa questão de aprendizado =)
    bjos naia

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  2. Muito interessante, me lembro que quando eu tinha uns 8 anos, me questionei se o que era verde para mim não era azul para outro e etc, nunca vou saber. Mas é isso aí, gostei da interpretação dos quadros!
    bjo
    boa sorte..

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  3. [b]OIII Naiá,achei muito interessante o seu blog.Vc tem muita criatividade. Boa Sorte!!




    Continue sendo uma pessoa que tem criatividade!
    Gostei muito beijao !



    t +

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  4. entãoooooo...
    penso q o mais importante seria fazer um quadro pra si mesmo ,e sempre tentando melhorar ,só não sei até q ponto é valido a opinião dos outros no seu quadro ,pra min vale + ser feliz ao analisar seu proprio quadro ,q ter um quadro q seja sucesso entre todos ,mas não expresse a sua verdadeira essência...
    concorda??
    bju

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