sexta-feira, 8 de junho de 2007

Por enquanto, ainda sem título [Parte 2]

- Vamos ter que deixar esse braço descansando por um tempinho considerável. – alertou a Dra. Mônica.
- Tudo bem, esse tempo logo passa – disse Marta, ridicularizando aquilo que pra mim havia se tornado uma tortura lamentável.
- Ainda não engoli o fato de eu ter feito isso com vc, Marta! Você vem visitar a sua sobrinha que acaba de nascer, decide ir ao banheiro e em seguida encontra um enorme pé de uma louca que parece às vezes não ter senso, e acaba tropeçando Que estupidez, a minha!
- Taianá, já te disse! A culpa já foi toda remetida à imprevisibilidade da vida. Essas coisas acontecem.
Passados alguns dias desse episódio, eu me dei conta do tamanho vínculo que acabei criando com Marta. Mesmo com o braço quebrado, ela sempre vinha nos visitar, chegou a lhe trazer alguns presentes. Eu já cheguei a imaginar como ela poderia, sozinha, ser dona de um caráter aparentemente tão íntegro e escrupuloso. Se fosse outra pessoa, eu poderia até mesmo ter sido processada. Mas não, ela preferiu “remeter a culpa à imprevisibilidade da vida” e encontrar em mim, segundo o que me disse uma vez, a amiga que procurava há vários anos.
Marta ensinou-me muito. Lembro-me perfeitamente de um dia em que eu estava lamentando minhas angústias devido a vários problemas fúteis que a vida insiste, paulatinamente, em petrificar e colocar no caminho para nos induzir ao desestímulo e ao ceticismo de continuar seguindo em frente. Depois de assistir a minha cena dramática, ela disse-me, convicta, que todas as pessoas são felizes. Tentei contestar, mas seus argumentos me calaram. Segundo ela, você pode ver felicidade em um sorriso. E o sorriso está presente em todas as pessoas (mesmo que em algumas, raramente) e corresponde a cerca de pelo o menos três segundos de felicidade. Marta estava certa. A felicidade não é um estado sólido e permanente. É uma união de momentos, segundos e palavras que têm a capacidade de nos dar prazer. E não importa quanto tempo isso dure, o importante é que existe, mesmo que seja como o vento: invisível, mas perceptível.


[tenham paciência, aos poucos isso aqui vai saindo! hehehe]

[continua...]

2 comentários:

  1. caracaaa...esses fatos são verídicos?
    Estou ficando intrigadooo.. hauahauaha
    bjoooooo
    E bunita essa declaração:
    "A felicidade não é um estado sólido e permanente. É uma união de momentos, segundos e palavras que têm a capacidade de nos dar prazer. E não importa quanto tempo isso dure, o importante é que existe, mesmo que seja como o vento: invisível, mas perceptível"
    Realmente bunitaaa!!!
    bju de novo hauahua

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