Estava conversando com um grande amigo um dia desses e percebemos que todo aquele nosso destemor da juventude simplesmente desapareceu. Escafedeu-se.
Falávamos sobre andar de avião. Como sempre éramos jovens, andar de avião era um deleite (gostei da construção desta sentença). Ainda preferíamos ir na parte de trás para decolar do assento quando o bicho entrasse numa turbulência. Se acertássemos com a cabeça no maleiro em cima, melhor ainda.
E eu, fanático por aviação, não entrava num aparelho há muito tempo. Pois neste ano, nas minhas férias, fui de avião. Uma beleza, aparelho lindo, mas minhas mãos ficaram geladas e meu coração disparou. Quando o troço fez uma curva de quase 180 graus para aproar o nordeste, fiquei com saudade de casa.
Nunca quis admitir isso, mas o que me deu foi cagaço mesmo.
Sem dizer a última vez que subi numa montanha russa, o que também não faz muito tempo. É claro que eu não poderia demonstrar medo naquela circunstância, afinal eu tinha de demonstrar toda a virilidade e destemor para a moça que me acompanhava na maldita montanha de ferro, mas por dentro eu estava completamente aflito. Um cagão nato.
Eu sabia que iria me tornar velho. Eu sabia que eu iria ter barriga. Eu sabia que a calvície e os cabelos brancos viriam. Eu não sabia que eu iria ficar cagão.
De vez em quando, inclusive, tenho medo de sair à noite. Vê se pode! Pegar o carro e ir pro boteco do Zé de Lima, lá no fiantã da Zona Oeste às vezes me deixa cabreiro. Afinal, a cidade grande é muito violenta. Tem muitos bandidos na rua, bêbados dirigindo, essas coisas.
Nunca deixei de ir pro Zé de Lima, mas já fui pra lá no cagaço. Algumas vezes.
Elevadores panorâmicos não me deixam muito confortável ultimamente.
Fui um razoável skatista na juventude. Fui tentar subir em um recentemente, o que, além da paúra, me deixou numa situação completamente constrangedora, com os braços abertos e pensos como uma gangorra e a molecada em volta gritando – Vai, tio, vai que é fácil!
E confesso que estava com certo receio de abrir publicamente assim a condição de tiozinho cagão que possuo hoje.
Mas uma amiga me disse que isso é normal, que com a idade o excesso de zelo chega.
[Crônica de Rick Lucas - http://www.cronistas.com.br/default.asp?ID_CRONICA=1541]
Eu também tenho medo de envelhecer...
Ultimamente, não sei porque, tenho pensado muito nisso.
Ando na rua, fico observando os idosos. É estranho isso.
Mas, pensando por outro lado... é muito gratificante você chegar aos 60, 70 anos e perceber que ainda é forte e que tem muitas histórias e experiências para contar. E mais ainda: que você é admirado por várias pessoas e que elas têm vontade de ser assim como você quando crescerem...
Tenho medo de envelhecer, mas quero muito envelhecer.
"Os velhos, quanto mais velhos, mais vírgulas usam"
(Mario Quintana)
nó
ResponderExcluireu tb tenho esse medo de envelhecer...
sabe o pior , eu nen estou velho , mas tenho tantos medos quanto o cara do texto...
mas isso faz parte ,a vida é muito importante pra ser um cara destemido ,sem medos.
mas o grande problema é...o tempo ta passando ,se eu não fizer hj , amanha pode ser que ja não possa ,então creio (parei de falar acho ,kkk) que o negocio é aproveitar ao maximo todos os dias ,os momentos ,e não ter medo da vida (não digo em questão dos perigos ,mas sim em arriscar ,perder vergonha da vida).
bem...falando em medo de morrer eu lembrei de uma frase do filme "o último rei da escócia", era mais ou menos assim "Se você tem medo da morte, não significa que vc é medroso, mas que vc realmente gosta da vida que tem..." é pra se pensar né? =)
ResponderExcluirAcho q muitas vezes temos q perder muitaa coisa, viver muita coisa, para aprender só um poquinho e definitivamente, aprendemos mais com a derrota do q com a vitória.
bjos naia
Não tenho muitos medos hoje, talvez nem tenha medos, mas claro que isso é demais...
ResponderExcluirJá tive muitos medos..
Creio que ainda vou ter outros.
bjo