sexta-feira, 25 de julho de 2008

Noite melancólica

Sexta-feira. Não 13, mas sexta-feira. Fim de uma semana ativa, início de um fim de semana sugestivo. Último dia útil em casa de papai e mamãe. Que diferença faz dizer se o dia é útil ou não? Pra mim, tanto faz. Sozinha em casa ao som novo e máximo de Tihuana. É incrível como a música consegue se encaixar - como a roupinha da Barbie nos sites de joguinhos que aprendi a brincar com my little sister - em cada momento da vida, em cada fase. Viva a música! E viva quem inventou a música (humanamente impossível reviver um morto tão milenar)!

Sozinha. Há quanto tempo não sei o que é isso? Um mês, talvez. E de pensar que vai começar tudo de novo. Não, não que seja ruim. Só é estranho. É um pouco incômodo imaginar que a tendência dos próximos dias é chegar em casa à noite e me deparar comigo e comigo mesma e as minhas coisas, minha cama, meu travesseiro, meu caderno vermelho... Meu caderno vermelho? Caramba, onde está meu caderno vermelho? Revirei tudo de pernas pro ar, não encontrei. Triste demais pensar que algo tão MEU, tão secular, tão distante, tão... pudesse sumir, evaporar. E assim, lembranças totalmente nítidas, totalmente vivas, vão se perdendo. Não possuem registro. Registrar. E qual a importância em registrar alguma coisa? O tempo, que eu saiba, foi feito pra não voltar e nem sempre os registros nos trazem informações valiosas. Algumas informações podem ser venenosas, isso sim. Seu veneno invade a alma e acende chamas que foram apagadas há séculos, resgatando um incêndio de devaneio irremediável.

Okay, o tempo não volta. Por mais que Caetano ou qualquer um que seja tente, não há hipótese de fazer um acordo com o tempo. O tempo é carrasco. É um déspota. Tudo bem, encaremos da forma como deve ser. Vivamos o que ele nos proporciona, esqueçamos de indagar os seus desígnios.

E esqueçamos de entender o sentido de um post insano desses.

2 comentários:

  1. Maravilhoso!
    "(humanamente impossível reviver um morto tão milenar)!"
    Muito bom ler isso, muito bom voltar pra cá.
    A mim o fim de férias foi trágico. Mas o novo semestre saiu (está saindo) melhor que o anterior, ruim em alguns aspectos, mas melhor. Morei sozinho nos meses passados depois da metade de agosto, é a melhor coisa que tem (na verdade morar com a mãe e melhor, mas isso já não é mais possível).
    Sempre encontramos as coisas que perdemos (ou pelo menos ficamos sabendo como elas foram destruídas).
    E o tempo sempre passa, sempre chega, mas sempre passa.
    (Só por uns dias to usando meu nick adolescente).
    Mateus Vieira Orio

    ResponderExcluir