sábado, 11 de outubro de 2008

Ceticismo incoerente

Não sei entender os motivos pelos quais uma cidade, quanto menor seja, maior a euforia das pessoas em relação à política. Intrigante é saber que essa euforia é totalmente efêmera, dura no máximo três meses, o tempo que nutre uma campanha política. O mais impressionante é saber que a rivalidade política chega ao ponto de fazer coisas inacreditáveis. Eu estou completamente indignada com a submissão do povo, com a falta de ética e de escrúpulos que se disseminou nos últimos tempos. O que é justo, afinal?

Eu também me empolguei, confesso. Fui em todas as caminhadas políticas que pude, de ambos os lados. Conheci de perto os princípios e as propostas de ambas as coligações. Nada muito diferente, a política é praticamente a mesma em qualquer lugar. Mas por mais incrível que pareça, toda política (mergulhando agora no seu significado real) possui planos, projetos para melhorar as condições de um determinado lugar. Se há cobrança insistente, a coisa vai pra frente sim. No entanto, o que me intriga é saber que as pessoas não cobram, não fazem a mínima idéia sobre o que se passa nas câmaras municipais, no senado ou em qualquer outra instituição governamental. Mas ainda pior é saber que não conseguem sequer camuflar a hipocrisia que perpassa sobre elas. Compram e vendem votos descaradamente. E acham bonito isso. E ainda têm a insolência de dizer: "Vendi meu voto, mas não vou votar na pessoa que comprou." Outro dia ouvi: "A única época que a política presta, é no período das eleições, quando os políticos nos 'ajudam' ". Chega um ponto que não se sabe quem é mais despudorado. E então, surgem as falas clichês que todo mundo tá careca de ouvir em todas as esquinas: "Político é tudo da mesma laia, farinha do mesmo saco." Mas como eles podem mudar diante de um povo que não muda?

E é muito mais cômodo dizer que não há mais solução, que não adianta tentar fazer alguma coisa, que pra sempre a política vai ser suja. Eu não seria tão contundente assim. Eu acredito, tenho sim esperança. Acredito na capacidade que um grupo pequeno de pessoas possui para transformar, revolucionar. Sei que no meio de tanta gente corrupta, há aqueles ou aquelas confiáveis. Não é fácil acreditar, eu sei. Mas não vale a pena tornar-se cético para sempre. Como me disse um amigo, desacreditar na política e considerá-la suja já virou uma cultura entre o povo. E mudar uma cultura, por mais frágil que ela seja, é uma tarefa praticamente impossível. PRATICAMENTE.

Então, tenhamos esperança, acreditemos e lutemos. É melhor ficar de braços cruzados e manter as coisas como elas são, eu sei. Mas é melhor ainda enfiar a mão na massa, se cortar, se sujar, mas depois saber que valeu a pena.

3 comentários:

  1. Simplesmente magnífico!
    Escreveu tudo o que eu pensava (de maneira mais organizada e esclarecida que meus pensamentos), mas que não tive a idéia de escrever. Daria uma ótima carta pro "O Popular". leitor@jornalopopular.com.br
    Mas não sei se vc teria interesse nisso.
    Não vou dizer mais nada porque já fui extremamente contemplado pelo post.
    Abraços.
    Mateus.

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  2. Adorei seu sentimento de indignação aqui explícito.Realmente a falta de pudores chegou num limiar estupendo, e sempre reclamamos da sociedade na qual vivemos, do governo, porém não reforçamos a idéia de que somos parte também deste conjunto.Contribuímos para este ciclo.;]

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  3. Belissimo.
    Do blog do Mateus eu entrei no seu, ansioso pra ler o que ele descreveu como "magnifico". Concordo com ele, e principalmente com vc. Estamos em colapso, e não é exagero. Nossa sociedade baseada no modelo burgues de economia de mercado e democracia gera mais que desigualdade social, causa uma enorma sensação de passividade na população. O processo eleitoral vigente é parte de um complexo estrutural que promove uma industria cultural que vai "emburrecendo" (despulpe a expressão) a grande massa de manobra. Tudo isso torna possivel a transformação da politica em negócio. Eu vejo sérios problemas na própria democracia representativa, também me preocupa o modelo organizacional das instituições, inclusive daquelas alternativas (movimentos sociais) que são engolidas pelo poder e sempre tem brechas pra corrupção.

    Como dizem uns amigos meus: Vamos a luta companheira!!
    hauahuahauhaua
    Bjoo

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