segunda-feira, 6 de julho de 2009

Esperar

Enfim, férias.

Há muito tempo estou buscando tempo pra simplesmente ver o tempo passar.
[esse joguinho não ficou bom, né?]

Pois então, esse tempo chegou. E agora eu estou procurando tempo para fazer com que o tempo passe rápido. Quero que ele voe. Preciso que ele corra a 300 km/h. Preciso fazer tudo o que eu tenho que fazer pra ser livre, completamente livre, autônoma, por mais que essa autonomia não exista. Em todo momento somos escravos de alguém ou alguma coisa; quando a independência começa a bater na sua porta, você percebe que a sua dependência (antes inexistente) por outras coisas, concomitantemente, passa a entrar em cena.

Você deixa de depender dos cuidados de pai e mãe e passa a depender do dinheiro, passa a depender de um carinho diferente, de planos, de expectativas, desejos, sonhos. Você percebe que agora tudo depende de você. É hora de buscar, com as próprias pernas, por alternativas, por meios para sobreviver. E isso dói, e como dói.

E dói saber que seus pais ainda não perceberam que o bebê cresceu, que é hora de cortar definitivamente o cordão umbilical. E dói para você, perceber que apesar da idade (já caminhando para 2 ou 3 décadas), ainda é capaz de sofrer crises existenciais. E você passa a ficar rebelde, não admite estar errado, não aceita a visão - um tanto quanto ultrapassada - de seus pais, acha que eles precisam mudar, precisam enxergar o novo mundo, o mundo diferente daquele de quando tinham a sua idade. E você deseja ser passivo(a), mas não consegue. Você anda nervoso(a), mas não entende por que. Você fica ignorante. Só depois percebe que não adianta meter a cara na parede e xingar tudo e todos. Você precisa esperar, amadurecer (ainda mais). Sim, amadurecer. Esperar.

E eu estou esperando; há anos venho esperando. Esperei 9 meses para nascer... Não custa esperar mais dois anos para que eu me veja "oficialmente" autônoma. Talvez o que eu preciso é de um diploma nas mãos. Ou será que é só o tempo?

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