Quero ser breve. Quero falar sobre uma percepção que tive ao utilizar o transporte coletivo da cidade de Goiânia (que os mais íntimos conhecem como eixão). Quer experimentar alguma aventura? Quer conhecer coisas inimagináveis? Pegue uma carona no eixão.
Tristeza foi o que senti ao ouvir a conversa de dois rapazes aparentemente jovens, totalmente preenchida pelo vazio de alguém que nunca teve instrução necessária para discernir o bom do ruim. Falavam de festa, bebida, "papel" e sexo em alto e bom tom, de forma que todos ouviam. Quando um dos dois desceu, o outro permaneceu e começou a cantar também em alto e bom tom um rap. Atenta à letra, supus com uma quase-certeza sólida que ele não sabia o que cantava. Tudo tinha sentido, mas ele cuspia as palavras. O rap falava de Deus, de bem, de não desistir.
Diante disso tudo, tive um sentimento de fraqueza e impotência que preencheu minha visão. Eu estudo todos os dias naquela cadeira não muito confortável, mas bastante cômoda, sobre as possibilidades da educação e tudo o que podemos construir por meio dela, sobre capitalismo, sociedade, gênero, cultura... Estudo e não consigo compreender a realidade, estudo e convivo de perto com a decepção todos os dias. Estudo e não consigo me aproximar do que vejo nos livros. É tudo tão sujo, tão estúpido, tão mentiroso. Acho que estou indignada. Bom, acho que isso significa que estou viva!
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