Pobre de nós, quando pensamos que temos controle diante de nossa alma. Pobre de nós, acreditarmos que tudo o que fazemos é intencional e que somos seres conscientes de nossos atos. Pobre de nós, pensarmos que um dia chegaremos a um nível de maturidade racional que supere o desequilíbrio emocional constante que nos invade. Pobres... pobres e pobres.
E pobre de mim, pensar que sou constituída de matéria resistente. A minha matéria é frágil, é intensa, ineficaz, vulnerável, equivocadamente dócil, exageradamente inconstante, imprecisa, imparcial. A minha matéria não me serve. Quero alma, quero espírito. Quero um limite mais distante, quero voar na velocidade da luz com a leveza de um beija-flor, quero me encontrar com o sol e tornar evidente a ideia de que a luz também queima, ludibria, cega. Quero compreender que o que vejo é passagem, que o que sinto é presente, e que o presente vira história amanhã, e que as histórias podem ser recriadas, reinventadas, ressignificadas.
Quero compreender o que exatamente existe para ser compreendido.
O que preciso aprender,
o que preciso criar,
o que preciso viver,
o que preciso mostrar,
o que preciso sentir,
o que preciso fingir,
o que preciso mentir,
o que preciso sofrer,
o que preciso realmente AMAR,
a quem eu devo amar?
Enquanto não compreendo, sobrevivo. Sobrevivo no renascimento contínuo, na aprendizagem momentânea, na angústia da saudade, na espera pela evolução, nos encontros causais, no raso entendimento sobre a morte, na nostalgia do passado, na presença do outro, na fantasia da imagem, na áurea da criatividade, na força da esperança, sobrevivo na minha essência. E sigo adiante, ora com os pés no chão, ora com os pés no céu. Acho que nasci para legitimar os extremos. Ser extremista é a condição do mundo, é a lei de quem vence. Que eu aprenda a buscar o equilíbrio das extremidades.
"Quero um limite mais distante, quero voar na velocidade da luz com a leveza de um beija-flor, quero me encontrar com o sol e tornar evidente a ideia de que a luz também queima, ludibria, cega."
ResponderExcluirIncrível essa frase!!!
Eu nunca havia pensando por esse lado, é como vc também diz, as histórias podem ser Ressignificadas...
Vc se supera ao passo que adquire mais experiência em escrever.
Lindo o texto, creio que achar o ponto de equilibrio pode ou não ser fácil, nós humanos somos tão vulneráveis, mas ser vulnerável também faz parte do processo.
ResponderExcluirViver as extremos é bom, mas quem não gosta de um pouco de calmaria...afinal quem é capaz de ter o controle sobre tudo?!