terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

É doce estar na moda...?

Ultimamente tenho pensado sobre como se constroem as identidades por meio do corpo. Há dez anos talvez eu não tivesse perspicácia suficiente para perceber isso e talvez sentia minha autoestima bem abalada. Mas hoje, vejo como a história vai conduzindo nossa vida a ponto de moldar até mesmo a estética corporal.

No que se refere a formas de me vestir, sempre mantive um estilo mais básico e comum, mesmo que em certos momentos eu tenha tido a vontade de me vestir como hippie ou roqueira, mas isso foi na adolescência, é claro! Hoje, meu estilo é extremante funcional e necessariamente prático. Além disso, eu fiz com que a minha escolha estética servisse a mim e às minhas necessidades e não o contrário. Quase nunca estou na moda, porque geralmente estar na moda exige um desconforto corporal que eu não estou disposta a sentir.

Pareço uma idosa falando, mas cheguei num ponto em que uma roupa apertada demais ou que me marca e me machuca estão fora das minhas escolhas como consumidora. Eu necessito ter meus movimentos corporais completamente livres, porque já estamos presos, amarrados e apertados demais em outros aspectos da vida.

Hoje, não posso negar que de vez em quando bate aquela vontade de me arrumar mais, me emperiquitar, colocar um salto considerável para me sentir mais alta, fazer uma maquiagem bem bonita e sair para trabalhar, por exemplo. Porém, até mesmo a minha profissão contribuiu na construção das minhas escolhas estéticas. Trabalho de calça de lycra, camiseta e tênis e estou quase sempre suada e feia, mas livre em meus movimentos, fazendo alguma coisa acontecer, pronta para o que der e vier.

Nessa lista de coisas que atrapalham a nossa liberdade, Incluem-se também outras várias formas de intervenção estética no corpo, não só as vestimentas. Se eu vou ao salão de beleza e invento de fazer um procedimento ou outro, daqui a um mês preciso ir de novo para retocar e acabo fazendo mais um e assim por diante. O mesmo em relação às cirurgias plásticas... mas isso é pauta para longas discussões. Não quero aprofundar nisso agora. E também não estou criticando ou negando as benfeitorias dessas intervenções cirúrgicas, acho sensacional tanto avanço tecnológico.

Mas, voltando à ideia anterior... Eu, por não seguir fielmente à moda, não me sinto menos feminina ou menos mulher, pelo contrário, ando me sentindo mais leve e mais determinada justamente por saber que eu posso fazer minhas próprias escolhas. Já quis muito me vestir de um modo que não parecia comigo, já me senti muito magricela e desengonçada, mas hoje eu sinto na minha ausência de curvas perfeitas a possibilidade de me destacar sendo eu mesma.

Isso não é um discurso de pseudo-emancipação. Eu afirmo veementemente que não sou ainda emancipada como eu gostaria, não tenho problema em assumir isso. A minha intenção ao compartilhar esse pequeno textinho é fazer brotar mais autoestima na mente das minhas amigas, colegas, conhecidas, alunas, ex-alunas e dizer a vocês, meninas, que sejam sempre vocês mesmas, não tornem artificial a sua natureza tão pura e tão bonita! Você é linda! Não deixe que nada nem ninguém interfira na sua relação sagrada com o seu próprio corpo! Um abraço fraterno em cada uma de vocês!

Um comentário:

  1. Ual!!! Amei esse texto! Muito inspirador..nos aceitarmos como somos e sermos livres para sermos quem somos! 💜😍

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