Depois de sete anos de convivência, percebi que ainda não conhecia Marta o suficiente. Não sabia quais eram seus limites ou o que poderia deixá-la abalada. Pensando bem, pode-se viver cem anos e ainda não se conhecer inteiramente. Os dias trazem consigo algo além do que podemos ver ou sentir... trazem maturidade. Assim, nunca poderemos conhecer-nos inteiramente. Sempre haverá um mistério a ser desvendado, um pensamento até então não existente ou um desejo novo dento de nós. Era impossível para mim, querer conhecer o suficiente de Marta, já que o suficiente não existe.
No entanto, infelizmente a vida me apresentou um lado de Marta que eu preferiria jamais ter conhecido: seu lado frágil. Tudo começou quando decidimos almoçar juntas para comemorar sua promoção no trabalho e ela veio dar-me uma notícia:
— No mês passado, fiz uma mamografia. Acabo de vir do consultório. Estou muito doente, Taianá.
— Doente? Como assim, doente?
— Vou economizar eufemismos, amiga. Estou com câncer.
— Você tá brincando comigo?
— Ei, maluca! Isso é de se brincar?
— Mas Marta, como isso aconteceu?
Eu não queria acreditar. Ouvir aquilo foi muito difícil. Me perguntava o tempo todo como havia acontecido justo com ela. Infelizmente, era inútil o meu questionamento. Aconteceu, pronto. Realmente, havia coisa pior do que se engravidar aos 17 anos e ser odiada pelo próprio pai.
A luta contra o câncer começou. Nos primeiros meses, tudo era muito novo e aparentemente não muito sério. O mais difícil era encontrar outras pessoas que vinham lutando há mais tempo e que se encontravam em uma situação mais deprimente. Talvez, o que mais temíamos era saber que dentro de pouco tempo, havia a possibilidade de Marta se juntar a elas.
Por incapacidade minha, na maioria das vezes os papéis se trocavam. Marta consolava-me. Ela dizia que tudo iria acabar bem e que eu não precisava me preocupar daquela forma. Eu sentia que ela estava frágil por dentro, mas havia algo que puxava seu ombro e não a deixava cair.
Sabe, filha, durante esse período, eu estava me descobrindo aos poucos. Eu acreditava estar conhecendo os meus próprios limites, mas até hoje não os conheço, já que as dificuldades só aumentam. Não, filha. Não estou reclamando. Apesar de tudo, quero sim viver e quero continuar lutando até o fim. Mas às vezes as forças perdem-se em meio à turbulência dos acontecimentos. Foi o que uma vez aconteceu com Marta.
— Não agüento mais, Tai. Me tornei inútil. Olhe para mim! Às vezes penso que Deus é injusto. Será que eu merecia isso tudo?
— Não fale assim. Pare e pense em tudo o que você mesma me disse. Não cabe a nós entender o porquê disso tudo. O que nos cabe agora é continuar lutando, como fizemos até agora. E não vamos parar!
Aceito com o maior prazer uma sugestão pra título!
[continua...]
não se pode parar né... câncer é um tema delicado naiá... sem comentar q eu sou totalmente desinformado sobre.
ResponderExcluirtítulo? hauauhha irei pensar =)
bjos
Demorei vir pq tava meio sem tempo, (é sério, hehe).
ResponderExcluirAchei esta parte super legal, organizou muito bem as reflexões (que são seu auge, vc sabe colocar muito bem isso nas histórias, é bom, pq faz o leitor ver o que realmente os presonagens estão compreendendo).
bjo