quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mais uma para a lista das milhões de crises.

Mais uma vez em crise. E dessa vez, a crise se deve ao meu desespero de ser independente. Chega um tempo em que você percebe que ninguém pode te ajudar, que você precisa agir, precisa fazer alguma coisa. E esse tempo está chegando pra mim. Eu me sinto tão inútil, tão vazia, tão incompetente, às vezes sinto que não tenho feito NADA pra evoluir... eu sei que esses pensamentos intrusos são completamente efêmeros. E que bom que são... No entanto, à medida que eles começam a frequentar muito o meu dia, eu passo a ficar preocupada, ficar desesperada. E é como eu me sinto ultimamente.

Há uns trinta minutos, mais ou menos, eu estava vendo umas fotos no orkut de uma conhecida. Orkut tem um falso moralismo tão estrondante, parece que a sua serventia é única e exclusivamente 'transmitir impressões', sejam elas positivas ou não. E nesse jogo de impressões, eu, quando atuo como espectadora do que me é apresentado através dessa rede infinita de pessoas, tenho o costume de observar fotos, observar comentários (principalmente a forma de escrever) e tirar as minhas próprias conclusões. Conclusões estas, talvez precipitadas. Hoje concluí que eu gostaria muito de estar presente nas fotos do orkut da conhecida em questão. Gostaria sim, porque creio que lá eu estaria compartilhando com ela e com as demais pessoas que eu conheci um dia, em Brasília (e que foram identificadas prontamente por mim nas fotos), não só aqueles momentos aparentemente felizes, mas eu estaria compartilhando uma vida profissional. Uma vida militar, vida de sargento, vida de controladora de vôo. Eu preciso compartilhar uma vida profissional com alguém. Preciso ter uma vida profissional. E de pensar que esta vida esteve tão próxima...

Então, diante de tudo aquilo que eu adquiri por não ter mergulhado nesta carreira militar, eu me consolo. Me sinto feliz, por um lado. Sei que aquilo que eu faço, faço com prazer. Estudo com prazer de estudar. Estudo esperando e planejando muito. E acho que isso é o importante. Só que às vezes esperar pelos resultados deste estudo aparentemente infinito é o que me angustia. E a única coisa que eu queria era ser LIVRE, era não precisar dar satisfação pra ninguém sobre o que eu faço ou deixo de fazer, era ser INDEPENDENTE... era aproveitar o auge dos meus quase falecidos 19 anos, era fazer o que eu nunca fiz, era poder estar onde eu nunca estive... coisas tão simples, tão perto do meu alcance... tão perto e tão longe, porque existe um rio com correntezas assassinas entre mim e o que eu quero. Mas eu estou aprendendo a nadar, e eu sei que vou conseguir atravessar as margens deste rio.

2 comentários:

  1. Bom Naiá! Após ter lido esse seu desabafo tão deprimente... Eu como sua irmã e leitora do seu blog [aah, imagino que voce deva estar bem feliz por eu enfim ter lido né?] gostaria que voce visse essa frase aqui:

    "O acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando não quer assinar."

    Tome essa etapa 'perdida' da sua vida, como um fato que não era propósito de Deus pra você! Pare de ser culpar por essa chance que pra voce foi desperdiçada! Você não sabe o que Deus quer pra voce .. Esse momento que voce viveu foi apenas um acaso e que Deus não quis assinar!
    Você é muito melhor do que um controlador de voo, muito melhor que um personal trainner, muito melhor que uma médica.
    Você é você, quer melhor que isso?
    A vontade dos outros jamais deve ser a sua vontade!

    Pense nisso minha irmã.. Eu prefiro ter você aqui por perto, do que ter você lá em Brasília, se matando por um sonho que não era seu!

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  2. Você cobra muito de si mesma, eu também me cobro acho e espero que isso queira dizer que vou fazer algo de bom, por ser responsável e dar tiros conscientes.
    Mas que bom que faz o que gosta, mas já que você faz o que gosta, sinta como é bom e seja feliz.

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