Acabo de levantar. É diferente acordar em Itaberaí. As preocupações são mais tênues, o dia é mais ameno. Mas hoje um sentimento de culpa contornou estas boas sensações. Essa história de se ter uma vida dupla sempre compromete uma das partes. E eu sempre comprometo a parte "Goiânia" da coisa. Não adianta, acho que até hoje não cortei o meu cordão umbilical. Não é fácil ter amigos lá e um namorado aqui, ter meu lar lá e minha família aqui. Eu acabo de perceber que sou uma amiga desnaturada. Talvez seja impossível contar comigo, porque não se sabe quando eu estou lá e quando eu estou aqui. Será que as coisas são assim mesmo, ou eu realmente sou egoísta? Acabou esse conto de fadas de uma Naiá dedicada.
As pessoas se precisam. Isso é fato. Acho que tenho uma idéia, vou me duplicar. Quem sabe assim eu consiga ganhar dinheiro? Se uma Naiá não ganha nada, talvez duas consigam ganhar ao menos uma merreca. Se movimento estudantil desse dinheiro, seria mais um estímulo para eu me dedicar mais. É bom... todas as vezes que eu ouço um "Quem são vocês?" e quando todo mundo responde: "Sou estudanteee!", eu sinto uma vibração completamente inexplicável, um arrepio, literalmente. E todas as minhas idealizações de movimento estudantil, sindical, tudo aquilo que eu já li em romances, torna-se realidade. E talvez seja esse o motivo pelo qual eu sinto esses arrepios.
Dedicação... qual será a real dedicação? Como dedicar-se inteiramente a alguma coisa, sem que isso torne-se obsessão? Como dedicar-se profundamente a alguma causa ou a alguém, sem que isso te prejudique, sem que te torne escravo desta dedicação? Eu penso que aqueles que se tornam obcecados por apenas uma causa, na verdade tentaram obscurecer o vazio que preenchia suas vidas. Então, dedicação extrema, para mim, não deve ser considerada uma boa virtude. Não sei...
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