segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Há perigo na esquina.

Como eu desejaria ter uma máquina que transpusesse automaticamente todos os meus pensamentos para um papel. Caso isso fosse possível, tenho consciência de que talvez eu corresse grandes riscos. Risco de morte, até. Afinal, uma imensidão de anos de uma vida mal vivida não deve ser considerada. É como se vivêssemos sem vida. É como sermos sustentados pela morte: a morte dos sonhos, a morte da esperança e do amor, a morte da amizade e de quaisquer perspectivas, a morte da felicidade e da paz interior.

Sim, talvez, ao expor meus pensamentos, eu pudesse trazer morte à vida. Morreria aos poucos minha reputação; gradualmente, morreriam meus laços de afeto; paulatinamente morreriam minha vivacidade, meu brilho, meu desejo de agir e transformar. Minha fé se evaporaria graças à desilusão e toda a gama de energia negativa presentes em mim. Morreria meu futuro, já que não haveria mais presente. Nasceria um zumbi.

Percebo que há perigo em meus pensamentos. Há humanidade em meus pensamentos. Ser humano é ser submisso à imperfeição; e essa imperfeição tão austera, tão rude e ríspida existe porque não estamos sozinhos. Há imperfeição porque há cultura, há diversidade, há história, há a necessidade de conviver. Sim, a convivência nos torna imperfeitos porque costumamos cultuar a hipocrisia, porque precisamos fingir, temos uma força maior que nos faz esconder a sinceridade. Mais uma vez, lembremos-nos: não estamos sozinhos. Somos incapazes de viver sozinhos. Não podemos viver magoando. É inadmissível esquecer que é preciso ceder, abrindo mão de palavras amargas [talvez verdadeiras] e atitudes ofensivas. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Não estamos sozinhos. Não vivemos sozinhos. Não morremos sozinhos.

Entendo agora que o meu desejo é patético. Não se pode ter uma máquina para transpor os pensamentos para um papel. Vivamos rodeados pela censura; ela absorve nossos nutrientes vivos e energéticos, mas também evita catástrofes. Viver a morte não é o meu objetivo. Assim, prefiro continuar compartilhando meus piores (ou melhores) pensamentos comigo mesma e com O ser superior a mim. E só.

4 comentários:

  1. Lapidar os pensamentos antes de transformá-los em palavras é uma necessidade, não dá pra fugir. Mas veja, você foi bem sincera ao falar desta nossa escolha pela censura. A sinceridade compartilhada, afinal, tem o seu lugar.

    ResponderExcluir
  2. Todo ser humano precisa dividir seus pensamentos com algume alias, entao corremos atras de pessoas que chamamos de "amigos" para divir isso nao eh.. pos muitas veses quebramos a cara porque as veses eles nao intedem, ou temos ate vergonha de falar oque realmente pensamos sobre algo! rsrsrs.. Se tivermos essa máquina que transpusesse automaticamente todos os pensamentos para um papel seria OTIMO! rsrsrs.. acho que toda pessoa comprava um desse viu, pq oque temos de pensamento nao e pouco nao! Mas esse papel que os pensamentos estivesse escrito..tinha que ser trancado en confres porque e cada pensamento que temos que se algume viesse! JESUS! rsrsrs..

    ResponderExcluir
  3. não entendi muito heim ,kkkkk...
    depois olha uma musica que chama "a lista" de osvaldo montenegro ... não sei pq mas acho que voce vai gostar...

    ResponderExcluir
  4. Ai Naia, que lindo! Fazia tempo que nao passava aqui, mas achei tão maravilhoso esse testo. Quantas pessoas simplesmente passam pela vida, e muitas vezes não esperam muito. A vida é tão linda merece tanto ser vivida. Saudades! Beijos

    ResponderExcluir