Talvez tenha se tornado clichê dizer que é sempre melhor agir com a razão. Para mim, este argumento apenas se consolida como mais uma chave manipuladora do sistema. Fomos obrigados a justificar todas as nossas decisões baseando-nos nessa tal razão porque ela é aquela que oferece condições para medirmos, quantificarmos, diagnosticarmos, instrumentalizarmos, compararmos. A razão está ligada ao cérebro, mas não ao cérebro que pensa, raciocina, calcula, media ou imediatiza nada; ela está ligada ao cérebro enquanto maior e mais complexa estrutura anatômica. Razão é isso: promover sinapses nervosas nesta estrutura que nos direcionem a pensar o lógico, o que deve ser pensado, o que já está pronto e imposto. Razão é escolher o certo.
E para nós, seres humanos, o que é certo? Para mim, enquanto integrante desta categoria de seres vivos, entendo que o certo é tudo aquilo que esteja a favor do sistema. Certo é seguir padrões, continuar o que já está pensado, entender o que todos querem que entendamos, seguir os passos que deram bons frutos.
Use agora essa massa que preenche o seu crânio para viajar comigo em um pensamento: E a emoção? Por que não se deve agir com ela? Será que o motivo seria o fato de haver perigo na possibilidade de os resultados serem impressos com a tinta da subjetividade?
A subjetividade é a marca do ser no mundo, e não apenas do estar no mundo. Portanto, agir com a emoção nos faz ser alguém, nos concede a possibilidade de nos afirmarmos enquanto um ser pensante, que cria, recria, inventa. A emoção humaniza, compreende, reflete, analisa. Enquanto a razão quantifica, a emoção qualifica. Enquanto a razão tem um diagnóstico, a emoção tem uma análise dos fatos.
Agir com emoção é agir com liberdade: é termos consciência de que as decisões podem sim contrariar o que está imposto, é entendermos que as conseqüências existem, tanto pela razão, quanto pela emoção. E agir com liberdade é ter sensibilidade, é enxergar as entrelinhas. Emoção também é sofrimento. E sofrimento também é vida. Eu sou a prova viva da emoção, sou um coração em sístole/diástole constante, solto, andando por aí, sem uma direção certa, sem um destino certo. Mas ele não parou de bater... e então acabo entendendo que não preciso saber o que é certo para continuar vivendo, afinal a emoção me conduz ao caminho que devo tomar, porque ela me dá permissão, ela tem uma análise de mim, ela sabe bem quem eu sou, ela é a minha subjetividade. É por isso que não vivo sem emoção.

Na minha pequena trajetória até então, pude perceber que a razão fala mais alto do que a emoção, mas que essa emoção aparece em momentos específicos se assim posso dizer. Sou mais preso ao sistema mais do que imagino.....
ResponderExcluirParabéns pelo Texto mais uma vez!!!!
Gostei mesmo.
Como sempre descrevendo aquilo que pensa e sente da melhor forma possivel. Realmente as nossas emoções nos descreve, o que somos o que pensamos e como agimos! Espero outros testos que são sempre maravilhosos.
ResponderExcluirGostei muito do seu texto, da suas comparações! Acho até que deveria ser publicado. Parabéns!
ResponderExcluirPrimeiramente: Vc tem ideias e argumentos surpreendentes e interessantíssimos. É como ler o seu texto e ao mesmo tempo pensar "Caraca!".
ResponderExcluirAgora, eu penso que para agir sem que o cérebro reprima a sua ação, você não tem que 'parar para pensar'. Porque, se fizer isso já não fará como faria se não pensasse. Entende?
Se você para para pensar surgem dúvidas e inseguranças: "Será que estou sendo muito racional?" "Será que estou sendo emotivo demais?".
Bom, é isso. Parabéns pelos argumentos, Naiá.
Depois, migre o seu interesse para um Nonsense.
http://interessantenonsense.blogspot.com/