Houve um tempo em que eu me repousava nas asas infinitas das recordações da infância. Eram lembranças, reminiscências soltas no pensamento, fatos passados que preenchiam a mente de nostalgia e, concomitantemente, de um sentimento doce de história de vida tranquila. Tudo era mel, não havia dor ou pesar.
Esse era o tempo de adolescência. A retina possuía sutis camadas de diamante. Tudo o que se via, resplandecia. O mundo externo era cheio de cores vivas que tornavam-se iluminadas pelo deslumbre da camada de diamantes.
Havia diamantes presos em todos os outros sentidos: tato, olfato, paladar e audição. O mundo era de diamantes, porque tudo era precioso, tudo era forte e intenso demais. Havia intensidade em existir e a memória trabalhava a favor de bons fluidos e recordações tênues da infância.
Ser adolescente era sentir a vida em ebulição, o sangue se transbordando em desejos, sonhos e pequenas ilusões. O mundo começava na mente e terminava no coração. Mundo pequeno, mas completo. O ego sempre foi mais forte que o vazio. Se havia falta, havia também um modo alternativo de suprimi-la. E em meio a devaneios do espírito, no fim, tudo ficava bem. A espera era irrelevante, porque os desejos eram imediatos. Esperar era complexo e confuso demais, era triste, muito triste. Viver não era pura e simplesmente VIVER, era SENTIR a vida.
Hoje não existem reminiscências; nada é vago, só há o concreto, aquilo que é sólido e que invade o ego promovendo um vazio inexorável no espírito. Hoje o passado é grande, a história é pesada, a espera é para sempre. Hoje não se pode SENTIR a vida, é preciso LUTAR pela vida. Hoje o pesar preenche a alma, a realidade dura se dilui nas veias, o coração pulsa insegurança e responsabilidade. O diamante está se tornando pólvora.

Minha autora preferidaa! =)
ResponderExcluirOlha, Parabéns, a escritora está amadurecendo!!
ResponderExcluirfaz todo sentido!!
concordo com tudo Naiá
Belo texto! ;*
ResponderExcluir