DISCURSO – COLAÇÃO DE GRAU – EDUCAÇÃO FÍSICA – ESEFFEGO 2011/1
Boa noite!
Quero cumprimentar de modo muito especial, nesta noite solene, aos meus queridos amigos, aos nossos inesquecíveis professores, aos amados familiares e aos ilustres convidados aqui presentes.
É com uma satisfação imensurável que venho expressar por meio de singelas palavras, a representatividade deste momento ímpar de nossas vidas.Venho contar um trecho de nossa história e tentar exprimir a emoção que todos estamos sentindo ao chegar até aqui.
Certa vez, um grupo de jovens entusiasmados e cheios de vida, cada qual ao seu lugar, decidiu que seria a hora de arriscar um novo caminho. Alguns deles transbordavam certeza em seus gestos e olhares, outros demonstravam insegurança em relação ao que viria pela frente. Foi assim que o acaso, ou quem sabe o destino, nos uniu, trazendo-nos todos a uma Universidade repleta de história, calor humano e receptividade. Naquele instante, tínhamos um mundo de saberes, experiências e expectativas em nossas mãos. Acabávamos de assumir uma responsabilidade desafiadora: educar. Hoje, após quatro anos de muita luta, envolvimento, esforço e dedicação, estamos diante da tarefa árdua de transmitir o conhecimento no intuito de construir um mundo melhor e mais justo.
Fizemos uma grande história, conquistamos a amizade, enfrentamos dificuldades, lutamos por uma grande causa, em alguns momentos nos desentendemos, fomos artistas, equilibristas, palhaços... aprendemos a arte de sorrir diante de circunstâncias embaraçosas, aprendemos a arte de revolucionar, exigir, reivindicar. Entendemos que a aprendizagem requer determinação e coragem, mas descobrimos que poderíamos aprender por meio do sorriso. Assim, nos divertimos, brincamos, inventamos, arriscamos, voltamos muitas vezes à nossa infância.
Aprendemos a ser sagazes e soubemos estourar os cativeiros de nossa trajetória. Competimos sempre, cada um ao seu modo, mas esteve sempre intrínseco o espírito cooperativo. Fomos constituídos pelas diferenças, tínhamos aqueles que aceitavam tudo, outros que resistiam sempre, havia os engraçados, os sérios, aqueles que se consideravam pai e mãe de todos, outros que davam medo, outros que só sabiam sorrir, havia ainda aqueles que gostavam de cores dos mais variados tons, outros preferiam sempre manter a discrição. Havia aqueles que não mediam palavras, outros que eram sutis, havia aqueles que eram sempre líderes, outros que mantinham os nervos sempre à flor da pele, aqueles que se rendiam à preguiça e ainda outros que esbanjavam calma e tranqüilidade em todos os momentos. Tínhamos os perfeccionistas, aqueles que exigiam sempre o máximo de si, outros que sabiam aceitar os próprios limites pessoais e ainda aqueles que simplesmente não ligavam tanto para os pequenos detalhes.
Fomos os desbravadores das grandes experiências, conquistamos o caminho para o novo, transformamos a aprendizagem em nossa universidade, lutamos a ferro e fogo. Queimamos pneus, comemos marmitas, fomos ao planalto central, pulamos para não sermos tachados de governistas, cantamos, gritamos. Muitas vezes nos desesperamos, tivemos muito medo do futuro. As madrugadas foram nossas fiéis amigas ao longo desses quatro anos... provas ameaçadoras, sarais, seminários, trabalhos infinitos, as famosas resenhas e a tão temida monografia, que no final tornou-se uma conquista, como todas as outras tarefas que nos foram atribuídas.
Tivemos grandes desafios e passamos por dificuldades juntos... no entanto, cada um deixou um pedaço de uma grande história de felicidade para contar. Éramos mestres na arte do improviso, trabalhamos duro e nos divertimos nas festas juninas, nos rendemos às danças circulares sagradas, nos presenteamos com meias e chocolates, caímos e quebramos o piso da quadra com o dente, fizemos as mais belas tatuagens, dormimos profundamente nas aulas de filosofia, fomos saturados pelo coletivo de autores, fomos recordes no pique-esconde, fomos acidentados na pista de atletismo, fomos invencíveis na barrigada, matamos aulas para jogar truco, descobrimos no fim da trajetória o talento de compor as mais belas canções, construímos milhões de lembranças e juntos fizemos história.
Perdemos alguns amigos, ganhamos outros... sofremos grandes metamorfoses, acompanhamos o surgimento de grandes amores, fomos testemunhas de enlaces matrimoniais e da chegada de uma criança ao mundo. Quatro anos nos fizeram pessoas diferentes, transformamos algumas convicções, aprendemos novos valores, mudamos a cor do cabelo e a aparência do corpo, mas a transformação da mente foi sobrepujante. Construímos o conhecimento e ainda que de forma inconsciente, impulsionamos transformações sociais. Nos tornamos críticos, aprendemos a visualizar algumas entrelinhas que estiveram suprimidas pelas injustiças sociais, aprendemos a valorizar a educação de nosso país.
Hoje somos professores de Educação Física. Viemos celebrar as nossas conquistas. Estamos diante do início da realização dos nossos sonhos. Quatro anos nos trouxeram uma imensidão de descobertas e nos fizeram enxergar o mundo com outros olhos. Hoje somos diferentes, somos maiores, temos mais pedrinhas em nossa bagagem. Agora precisamos pensar em como organizá-las e distribuí-las e ainda de que forma poderemos compartilhá-las com o mundo. Conquistamos muito, aprendemos muito. Entretanto, somos apenas um grão de areia; precisamos continuar na estrada dos nossos sonhos e devemos estar juntos diante do futuro que nos espera, sem desconsiderar a imensidão do presente. Nas sábias palavras de Drummond, “o presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”. E por fim, parafraseando um de nossos estimados professores, “vamos embora que tá ficando de noite”.
Naiá, esta foi uma das mais belas e emocionantes oratórias que conheci... Minhas singelas e sinceras congratulações por mais esta fase de vitória em sua vida!
ResponderExcluirAqui, faço e deixo mais uma humilde poesia a você:
Ditosa senda de Naiá
Altaneiros que voam nesta madrugada
Não me roguem vetos, façam-me nada!
Pois, doravante partimos nesta vereda da ventura demasiada
Por vezes, travamos por vosso querer
E agora, nossos reptos suplantados adornam nosso viver
Plangente? Que nada!
Como plácidos alcançando a derradeira madrugada
Deveras lado a lado deste alento sal que brada
Que reveste e investe nesta felicidade alcançada
Amada hora,
Conclame como bela outrora
Amada hora, vista-se como deves, simplesmente
E estes belos vicários da vida... Ora, que sejam perenes refulgentes
Desanuviando nossos passos...
Ao abrir portas besuntadas de tino
Tornando esta Márjore sem defeitos nos traços
Alceando raios de idôneo ensino
E mais estes renomes no firmamento celeste a brilhar
Que fomentarão outros nomes, nesta abóbada a elevar
Quanta agrura derrocada a mil!
Por estes grandes desbravadores e Naiá
Façamos luzes a comemorar por este profícuo que surgiu!
A elevar o conhecimento, derrocando o vil
Como alento ao nosso inigualável Brasil.
De: Alucard Waldrich Schneider
Para: Naiá Márjore