Não quero me permitir a este abandono. Não posso deixar de lado aquilo que foi tão meu, tão próximo e tão leal a mim. Preciso recuperar as palavras, reconstruir a ponte que ligava minhas ideias, voltar a ser o que fui um dia, reconstruir o que esteve perdido por algum tempo, recuperar a essência escondida, refazer tudo aquilo que se perdeu...
Refazer, reconstruir, recuperar, resgatar... para que tantos "REs" se estou caminhando adiante? Por que olhar para trás? Por que querer ser aquilo que já se foi um dia? Por que buscar respostas que só se encaixam em perguntas antigas? Por que tentar resistir à velocidade do tempo?
Perdas não são perdas. Perda é o resultado de uma transferência de energia. A energia que utilizávamos para sustentar uma ideia, um sentimento, uma força, um objetivo ou uma convicção apenas mudou o seu foco. Continua sustentando nossa essência de vida, no entanto, foi transferida. Quando há transferência dessas energias, existem reações 'químicas'.
Reações químicas são impactantes, desfazem-se algumas ligações entre partículas importantes, mas outros reagentes podem ser adicionados. O desequilíbrio é essencial. O desequilíbrio traz o produto. Seja uma reação de síntese, troca, dupla-troca ou ainda de oxirredução, o produto estará sempre lá, vivo e radiante. O produto é sempre o novo, é a matéria renovada, transformada.
Somos seres químicos, físicos, dinâmicos, térmicos, eletrônicos, nucleares, radioativos e fundamentalmente HUMANOS. E assim sendo, precisamos aceitar nossas reações químicas. Não existe energia dissipada quando os agentes são humanos, portanto, não existem perdas. O que temos todos os dias são novos produtos, a matéria renovada. Precisamos aceitar o desequilíbrio. Esqueçamos as perdas, sejamos felizes com os produtos. E que eu esqueça os "REs" da minha vida.

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