Agora há pouco comecei uma de minhas tarefas que o ofício não me permite boicotar, coloquei uma música que foi trilha sonora de minha adolescência (Miss You Love - Silverchair), observei que começou uma chuvinha mansa lá fora para contribuir com esta sensação de nostalgia e agora estou legitimando esta sensação, voltando a escrever aqui, depois de tanto tempo.
Ultimamente, ando intrigada e incomodada, e os meus neurônios insistem em indicar uma fase de indecisão e desequilíbrio emocional. Em todos os aspectos, como de costume. Parece que dentro de mim não há vida se não houver conflitos internos.
Hoje pensei em abrir esta página para compartilhar de uma opinião anti-sentimentalista. Sei que as relações humanas têm afrouxado cada vez mais os seus laços e os sentimentos são voláteis e efêmeros. Sei também que os sonhos não podem mais ser coletivos, precisam ser individuais, já que não podemos contar nem com a presença permanente de uma única pessoa do nosso lado. Então sonhe, sonhe com o que lhe couber, sonhe com felicidade, reconhecimento, conquistas... mas não coloque outro ser humano neste sonho. Não dedique-se a pensar por dois (ou milhões). O pensamento é a manifestação subjetiva mais forte que existe, e a subjetividade é individual, é exclusiva.
Portanto, esqueça a ilusão do amor. Amor não existe. Companhia, carinho, afeto, sexo, amizade, isso sim existe. Mas amor? Amor não. Amor é além, é sempre, é transcendência. E no mundo moderno, ninguém consegue transcender-se e encontrar alma, espírito ou profundidade. Somos seres egoístas, covardes, medrosos e além de tudo, superficiais.
Isso não são palavras de uma mulher magoada ou decepcionada. São palavras de um ser humano entristecido e preocupado com o rumo que a vida segue, com o rumo que as pessoas têm tomado, com a superficialidade das nossas relações e com a progressão geométrica da barbárie humana. Não temos mais escrúpulos, temos apenas desejos instantâneos que se não forem satisfeitos imediatamente, o caos será instaurado. E a contradição maior é saber que TODOS, indistintamente, reprimem sentimentos, todos têm vontade de amar, vontade de se entregar e se deleitar com a felicidade de viver um sentimento puro e íntegro. E ninguém consegue, jamais conseguirá.
lido
ResponderExcluirmais tarde comentado
esperarei ansiosa!
Excluir"Somos seres egoístas, covardes, medrosos e além de tudo, superficiais"
ResponderExcluirMe pareceu que esta passagem,essencial inclusive, foi dotada de uma certa mágoa, um certo descontentamento, como se a sociedade levasse a estes adjetivos, já eu, penso baseado em outra ótica, a de que tais características são naturais, são primordiais a existência, não vejo o egoismo como algo criado socialmente/afetivamente, mas sim a solidariedade, o amor, o carinho, e a sensação de profundidade nas relações.
Não me iludo, somos bastante egoístas, e nossas atitudes dotadas de suposto altruísmo são sempre baseadas em uma expectativa de ganho próprio, mesmo os
relacionamentos, digo mais, PRINCIPALMENTE os relacionamentos, você não ama a pessoa, você ama a pessoa pelo que ela te representa!
Tente fazer o exercício de retirar as amarras que nos prendem a nossa visão como seres essencialmente "bons".
Estamos aqui por nós apenas... o tal sentimento "puro e íntegro" é interesseiro, e negar é tapar os olhos para uma chata realidade.
Não afirmo que você não pode amar, ter carinho, ou amizade, mas é apenas uma questão de interesse para sí.
Você poderia até contestar: mas e quem ajuda o próximo sem pedir nada em troca, aquele que doa seu dinheiro mesmo que anonimamente, qual seu interesse?
O interesse mais profundo e o qual mais somos fiéis que é a nossa consciência, pois devido a valores em nós impregnados como "bondade, amor,etc" tais atos despretensiosos são "batata" pra aliviar a consciência, nos deixar em paz e leves, ou simplesmente com sentimento de dever cumprido, no fundo a ação em si é coadjuvante no processo.
Por fim, peço que não se entristeça ou fique preocupada com o rumo do mundo, é assim e provavelmente sempre será,entender isso é por ora decepcionante, mas busque se conhecer sem medo do que pode descobrir e verá que muitas das suas inquietações sessarão por um bom tempo!
sabia que ia ser só eu revelar o anônimo que você não responderia mais... desinteresse por conhecidos heim!
ResponderExcluirFred, eu estou até hoje pensando sobre isso e também graças a Deus a semana foi muito cheia de coisas para fazer e não deu tempo de sentar aqui para pensar. E pelo contrário, por você ser muitoo bem conhecido é que se torna mais difícil responder algo intrigante e bacana que você mereça.
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