Acabo
de descobrir que desenvolvi em mim, de forma inconsciente, um amor
daqueles que apertam o peito quando o sujeito a quem se ama sofre
qualquer tipo de injustiça. Não sei como deve ser um amor de mãe, mas
penso que o desejo ímpeto de qualquer mãe é defender com unhas e dentes
seu filho. E hoje foi o que eu senti com a Educação Física.
É natural e compreensível que as pessoas carreguem consigo estereótipos e representações muitas vezes distorcidas daquilo que está fora de seu alcance cultural, ou até mesmo de sua formação acadêmica. Sendo assim, é de valor imensurável o poder que as redes sociais nos oferecem para que possamos compartilhar o conhecimento e superar os estigmas que nos aprisionam.
Há três anos cuido de uma tarefa árdua, que requer cuidado, dedicação, paciência, equilíbrio e esforço: ensinar Educação Física. E durante todo (ou “apenas”, como quiserem) esses anos, sempre me senti desprotegida e muitas vezes sozinha para arregaçar as mangas e lutar por uma causa cujos princípios as pessoas desconhecem. Com este simples desabafo, não tenho o objetivo de esclarecer ou discutir os princípios que norteiam a Educação Física, porque isso requer ínfimos anos de estudo e dedicação.
Gostaria apenas de trazer alguns pequenos argumentos defendendo a ideia hipotética que sugeri hoje, quando disse que seria relevante acrescentar-se uma aula de Educação Física no horário regular das aulas na escola, tendo em vista que no nosso município, há apenas uma aula neste período, a outra é realizada em um horário alternativo e nem sempre (ou quase nunca) acontece conforme deveria.
O conhecimento humano (por tese) deveria ser adquirido de forma integral. O próprio sistema escolar acaba impedindo que os nossos alunos compreendam o todo que os cercam, já que somos reféns de uma organização escolar fragmentada, burocrática, corporativista, entre outros adjetivos capitalistas que fazem do homem um ser coisificado. E o conhecimento escolar NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, deveria desconsiderar a cultura corporal desenvolvida historicamente pela humanidade. Fazer isso é extorquir o homem de sua capacidade de pensar o seu próprio corpo. É retirar-lhe o direito de conhecer a si mesmo.
Grande parte dos problemas sociais (ouso substituir ‘grande parte’ por ‘todos’), deve-se à limitação do homem em relação aos conhecimentos da cultura corporal. Um ser humano que não conhece o seu próprio corpo; que não aceita as relações estabelecidas pelo seu corpo com outros corpos; que não consegue expressar-se; que não desenvolve o respeito pela diferença (ou também pela igualdade); que ignora a história de seu próprio corpo e de sua comunidade; que nunca percebeu que o seu corpo possui uma linguagem; que não se comunica por meio de seus gestos e olhares; que não consegue estabelecer relações entre corpo e sociedade, corpo e política, corpo e economia, corpo e cultura, corpo e esporte, corpo e corpo... provavelmente, este ser humano não estará apto a desenvolver habilidades estritamente cognitivas, porque a cognição é o seu próprio corpo.
Em palavras rudes, quero dizer: retirar (ou deixar de incluir) uma aula de Educação Física para acrescentar uma aula de outra disciplina, que sofre maior cobrança por parte do sistema, não trará a este aluno aptidão maior ou menor para lidar de forma prática e dinâmica no contexto social em que vive. Afinal, um aluno que não conhece o corpo em sua essência, tampouco saberá escrever bem, realizar cálculos com sucesso, conhecer o seu passado e/ou muito menos terá condições para se posicionar enquanto ser pensante diante da sociedade em que vive, contribuindo, assim, na luta contra as injustiças sociais.
Portanto, caros colegas, alunos, amigos ou conhecidos que tenham chegado até este ponto da leitura, peço que estejam abertos a conhecer melhor sobre a nossa cultura corporal. Peço também que entendam este texto como um desabafo, uma forma de gritar: VALORIZEM A EDUCAÇÃO FÍSICA!
Obrigada.
É natural e compreensível que as pessoas carreguem consigo estereótipos e representações muitas vezes distorcidas daquilo que está fora de seu alcance cultural, ou até mesmo de sua formação acadêmica. Sendo assim, é de valor imensurável o poder que as redes sociais nos oferecem para que possamos compartilhar o conhecimento e superar os estigmas que nos aprisionam.
Há três anos cuido de uma tarefa árdua, que requer cuidado, dedicação, paciência, equilíbrio e esforço: ensinar Educação Física. E durante todo (ou “apenas”, como quiserem) esses anos, sempre me senti desprotegida e muitas vezes sozinha para arregaçar as mangas e lutar por uma causa cujos princípios as pessoas desconhecem. Com este simples desabafo, não tenho o objetivo de esclarecer ou discutir os princípios que norteiam a Educação Física, porque isso requer ínfimos anos de estudo e dedicação.
Gostaria apenas de trazer alguns pequenos argumentos defendendo a ideia hipotética que sugeri hoje, quando disse que seria relevante acrescentar-se uma aula de Educação Física no horário regular das aulas na escola, tendo em vista que no nosso município, há apenas uma aula neste período, a outra é realizada em um horário alternativo e nem sempre (ou quase nunca) acontece conforme deveria.
O conhecimento humano (por tese) deveria ser adquirido de forma integral. O próprio sistema escolar acaba impedindo que os nossos alunos compreendam o todo que os cercam, já que somos reféns de uma organização escolar fragmentada, burocrática, corporativista, entre outros adjetivos capitalistas que fazem do homem um ser coisificado. E o conhecimento escolar NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, deveria desconsiderar a cultura corporal desenvolvida historicamente pela humanidade. Fazer isso é extorquir o homem de sua capacidade de pensar o seu próprio corpo. É retirar-lhe o direito de conhecer a si mesmo.
Grande parte dos problemas sociais (ouso substituir ‘grande parte’ por ‘todos’), deve-se à limitação do homem em relação aos conhecimentos da cultura corporal. Um ser humano que não conhece o seu próprio corpo; que não aceita as relações estabelecidas pelo seu corpo com outros corpos; que não consegue expressar-se; que não desenvolve o respeito pela diferença (ou também pela igualdade); que ignora a história de seu próprio corpo e de sua comunidade; que nunca percebeu que o seu corpo possui uma linguagem; que não se comunica por meio de seus gestos e olhares; que não consegue estabelecer relações entre corpo e sociedade, corpo e política, corpo e economia, corpo e cultura, corpo e esporte, corpo e corpo... provavelmente, este ser humano não estará apto a desenvolver habilidades estritamente cognitivas, porque a cognição é o seu próprio corpo.
Em palavras rudes, quero dizer: retirar (ou deixar de incluir) uma aula de Educação Física para acrescentar uma aula de outra disciplina, que sofre maior cobrança por parte do sistema, não trará a este aluno aptidão maior ou menor para lidar de forma prática e dinâmica no contexto social em que vive. Afinal, um aluno que não conhece o corpo em sua essência, tampouco saberá escrever bem, realizar cálculos com sucesso, conhecer o seu passado e/ou muito menos terá condições para se posicionar enquanto ser pensante diante da sociedade em que vive, contribuindo, assim, na luta contra as injustiças sociais.
Portanto, caros colegas, alunos, amigos ou conhecidos que tenham chegado até este ponto da leitura, peço que estejam abertos a conhecer melhor sobre a nossa cultura corporal. Peço também que entendam este texto como um desabafo, uma forma de gritar: VALORIZEM A EDUCAÇÃO FÍSICA!
Obrigada.
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