segunda-feira, 25 de julho de 2016

Exercício físico: escravidão ou liberdade?

Tem mais ou menos um ano que não frequento mais a academia, não porque eu cansei de fazer exercício, mas porque a rotina da minha vida mudou muito. Eu nunca fui assídua e estava longe de ser fitness, mas eu ia à academia porque eu adorava sentir meus músculos vivos, adorava a hipotensão pós exercício e aquela sensação de relaxamento. Às vezes sinto falta da musculação, porque eu realmente me sentia mais forte. Mas quando eu não pude mais frequentar a academia por ter que estar em 3 cidades diferentes toda semana, tive a ideia de fazer exercício em casa ou fazer uma corridinha de leve no parque. E eu tenho que dizer uma coisa, é COMPLETAMENTE diferente! 
 
Comecei a me sentir mais livre, mais desprendida. Comecei a entender que o exercício deveria servir a mim e não eu deveria servir ao exercício. Comecei a compreender que comparar o meu corpo com o dos outros é tortura, é auto-destruição, é anular-se progressivamente em prol de um padrão de corpo que não existe. Não existe porque a maioria dos corpos com os quais eu me comparava já haviam sofrido alguma intervenção cirúrgica, já não eram mais tão naturais, aquela beleza já não era fruto exclusivo do exercício físico. Eu entendi então que eu estava me comparando com algo ilusório.

Ser bonita é algo que todas as mulheres desejam, não podemos negar. Mas a beleza plena é inalcançável, porque quanto mais se busca, mais os padrões se elevam e nunca encontraremos a sublimação. Eu gostaria muito de superar as minhas imperfeições e ser milimetricamente moldada com a simetria de Leonardo da Vinci. Mas qual é o sentido de existir para ser apenas contemplada? Precisamos mesmo é viver, lutar, sofrer, aprender, superar, amar, se emocionar, fazer história e deixar histórias. E eu, com todas as imperfeições marcadas no meu corpo, continuo sendo apenas uma professora que tem tantos sonhos e tantas perspectivas na vida e se eu fosse resumir os meus dias e as minhas energias em ser bonita, seria um desperdício muito grande de energia, de espírito e de potência humana.


Então o que me resta? Me resta buscar um equilíbrio, nunca desistir do exercício, sempre buscar meios de sentir o meu corpo e sentir a vida pulsando no meu coração acelerado, na adrenalina liberada e no suor derramado. Resta me olhar no espelho e ver o reflexo da minha história em meu corpo, entender as marcas da minha etnia nas minhas formas corporais, resta eu me sentir viva e saudável. Quando preservamos nossa identidade e nosso espírito, nada mais importa. Eu ainda quero voltar para a academia, já estou vislumbrando isso. Mas quando eu voltar, será de outro jeito. 



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