Nos últimos tempos tenho tido grandes oportunidades de me apropriar de conhecimentos e reflexões sobre as diversas formas de opressão que sofrem as minorias sociais todos os dias ao longo de toda a sua história. E isso tem mexido profundamente comigo.
APARENTEMENTE, eu não pertenço às minorias. Sou branca, sou heterossexual, tenho formação superior, tenho um capital cultural relevante quando comparado ao da maioria da população, fui educada em uma família que me deu todas as condições (aquelas realmente necessárias) para que eu pudesse chegar onde cheguei na hierarquia social. Tomando como referência os diversos marcadores sociais, posso me considerar privilegiada.
O que eu sou hoje e o suposto mérito que eu tive na minha vida, na verdade não foi mérito. Foram condições históricas favoráveis. Eu convivo o tempo todo com pessoas cheias de marcadores sociais que as colocam em um espaço diferente do meu. E eu não posso simplesmente ignorar isso e viver em um mundo fantástico de princesa.
Eu não posso deixar de me sensibilizar ao fazer um exercício de refletir sobre como é estar na pele das pessoas que sofrem por carregarem em sua história a dor desses marcadores sociais. Eu preciso ter empatia, eu preciso me colocar no lugar do outro e preciso aprender a lutar contra tudo aquilo que causa a dor no outro. Porque o outro é parte de mim, é constituinte das minhas relações e o que eu sou é fruto dessas relações. E acima de tudo, o sangue negro corre nas minha veias. Minhas raízes são negras!
Vamos parar com essa síndrome de conto de fadas e vamos parar de tampar o sol com a peneira: o racismo existe sim! E é preciso falar sobre isso, é preciso jogar no ventilador de todos que somos uma nação originalmente negra e, pasmem, racista! Sim, o Brasil é racista! E precisamos combater isso!
E viva o dia da consciência negra!

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