Pensei nesse título antes de começar este texto. Não haveria outro título
com tantos significados como este. Sim, ainda existo. Estou aqui. Eu, Naiá, com
minhas "idiossincrasias", minha singularidade, minha essência. Ainda
existe em algum lugar este espacinho de mim para mim dentro de mim. Não parece,
mas existe.
Nesses últimos anos, estive ausente daqui, talvez ausente de mim mesma
simplesmente porque me multipliquei. Nos multiplicamos. Me casei, tive dois
filhos, as duas coisinhas mais lindas e amáveis deste mundo. A propósito, quero
muito escrever alguma coisa, mas preciso ser breve, não posso me prender à
estética das palavras, não posso me dar ao luxo de buscar construções
linguísticas um pouco mais elaboradas, eu preciso ser bem objetiva, rápida, prática.
Esta tem sido a minha condição desde que resolvi estender a minha existência ao
mundo por meio de descendentes. Inclusive, a Flora, minha caçula, está está
aqui do meu lado no carrinho de bebê emitindo seus vários sons irresistíveis e
toda a sua pureza de vida. Comecei o texto, ela estava dormindo. Estou no
segundo parágrafo e tive que parar para pegá-la no bercinho e colocar ao meu
lado. Gregório, o mais velho, está na avó. Murilo, o papai, está trabalhando.
Quando tenho esses raros momentos de solitude, tudo que eu desejo é fazer algo
construtivo para mim mesma. Outro dia, quando tive essa oportunidade, assisti
um filme lindo. E é assim que tenho buscado nutrir a minha alma. É raro, mas
acontece.
A vida mudou tanto... tanto externa como internamente. Escrever neste espaço
parece tão ultrapassado, tão rudimentar, tão primitivo. Mas eu não poderia
deixar de registrar aqui qualquer anotação sobre a atividade que mais tem me
movimentado e tomado todo o sentido da minha vida: a maternidade. Para quem é mãe
e está lendo isso, deve estar saturada de tanto ler, ver e ouvir outras mães
falando sobre maternidade em tempos de algoritmos.
Mas o fato é que ser mãe nos consome em corpo, alma e coração. Por exemplo, escrevi a frase acima entre várias pausas para atender à Flora, que hoje resolveu manifestar algum incômodo, coisa que quase nunca acontece (fui agraciada com uma bebezinha muito tranquilinha, graças a Deus). As pausas foram tantas, que resolvi fechar o notebook e organizar a rotina de sono dela sem interrupções. Resultado? Estou deitada ao lado dela, finalizando essas anotações (sim, já não é mais um texto) pelo celular e desmotivada a continuar escrevendo. Quando se tem mais tranquilidade (como hoje, que estou sozinha com a Flora), a gente quer fazer tanta coisa… com a mesma intensidade que queremos produzir alguma coisa incrível, também queremos aproveitar para descansar. E é isso que vou fazer. Então, essa tarefa que me propus e não obtive sucesso resume de forma extremamente superficial o que é a maternidade em minha vida. Há infinitas coisas mais a dizer, mas não estou a fim. Não há mais espaço para mim mesma. Mas não desistirei. Ainda existo.
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