Outro dia eu estava compartilhando com alguns desconhecidos um momento entediante em um lugar ainda mais entediante: uma sala de espera. Eu estava esperando o resultado de um exame [coisa à toa] e já tinha feito e pensado tudo o que os meus neurônios desocupados [assim como eu] me permitiram fazer. Foi então que sentou ao meu lado um senhor, que por sua vez, começou a folhear as páginas de um jornal. Logo ele foi chamado e, de repente, a mulher da cadeira que estava na frente do senhor, olhou para trás e balbuciou umas palavras que no final das contas eu entendi que fossem mais ou menos isso:
- Que agonia! Esse cara fica lendo o jornal e esfregando as folhas na minha nuca, eu já estava me irritando com isso.
Educadamente, abri um sorrisinho como se eu estivesse sensibilizada com a irritação da mulher. Ela, talvez encontrando em mim a única alternativa para se livrar daquele tédio também irritante, se levantou da cadeira e veio se sentar ao meu lado e disparou a falar como um papagaio soluçando.
E o engraçado é que as coisas mais comuns que acontecem na minha vida são tão intrigantes, condizem sempre com o momento que eu estou vivenciando. Bom, o assunto dessa mulher era justamente algo que eu estava pensando no dia anterior. Ela veio me dizer que outro dia, numa outra clínica, numa outra sala de espera, aparecera um homem cujas descrições físicas soaram um tanto quanto bizarras. Como isso aqui não se trata de um conto ou um ensaio para um romance, decido poupar essas descrições. Eu sei que este homem falava alto e segundo o que a mulher interpretou, ele era professor, não se sabe de onde e de quê. Ela disse que segundo o que ouvira, ele tinha feito doutorado em Teologia no exterior. Me disse também, não com estas palavras, que ele começara com assuntos bastante polêmicos, que tratavam sobre religião. Segundo ela, o interlocutor desse homem era outro cara que também parecia ser professor. E então ele começou a falar sobre a Bíblia, sobre Jesus, sobre a história da humanidade, enfim... E para ela, esse assunto estava insuportável devido à forma como o homem erguia a voz ao conversar, sobrepondo-se a qualquer possível roído que viesse a mudar a cena daquele lugar.
Outro dia volto a falar sobre o que ele disse sobre Jesus, porque o meu foco agora não é esse.
Bom, no final das contas, segundo o que eu ouvia da mulher, este homem falara também da importância das mulheres, o quão maravilhosas elas são, e o quanto elas estão num patamar mais avançado em relação aos homens. Ele disse que as mulheres são o próprio Deus, que elas têm uma força inigualável e que os homens têm por obrigação tratá-las da melhor forma possível, venerá-las. Somente o fato de elas terem a graça de conceder novas vidas, já é uma virtude maravilhosa. E ele havia trabalhado esse assunto com argumentos muito interessantes, que infelizmente não me recordo no momento. Eu só sei que no meio da fala incontrolável da minha informante, a recepcionista chamou o seu nome e ela de repente se levantou da cadeira, abriu um sorrisinho apressado e disse: Tchau.
Depois disso, fiquei pensando em tudo o que ela havia me falado. Ela disse que quando uma pessoa estuda demais ou sabe demais, acaba ficando burra. Fica burra por estar cega diante de tudo o que lhe disserem, já que com todo o conhecimento que ela [a pessoa] adquiriu, tem como impulso natural a impressão de que tudo o que vem dos outros parece não ter consistência, parece se tornar vago ou irrelevante. E era justamente nisso que eu estava pensando no dia anterior. Eu acho que usei muito as expressões 'tudo' e 'todo', mas preciso escrever tudo sem pensar muito, porque senão acabo não concluindo a idéia da forma que eu queria. Pois então, a idéia é simplesmente o fato de que eu fico imaginando até aonde as pessoas chegam com o conhecimento. Até aonde eu posso chegar com as minhas aspirações e desejos de ser uma pessoa portadora de uma infinidade de graduações? Será que é isso o que vale na vida?
Bom, aproveitando a oportunidade e tentando fundir dois assuntos num só, ainda mais pelo fato de que hoje é o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, quero dizer aos homens que venham a ler este post, que valorizem as suas mulheres. Valorizem sua mãe, sua avó, suas tias, suas irmãs, sua[s] namorada[s], suas professoras... Valorizem-nas, pois elas valem muito. Elas valem muito mais do que vocês possam um dia imaginar.
Para finalizar, quero dedicar este post à todas as mulheres e especialmente às duas aniversariantes de hoje, Nathalia e Fernanda, minhas grandes amigas. E também, à minha mãe, que faz aniversário amanhã.
- Que agonia! Esse cara fica lendo o jornal e esfregando as folhas na minha nuca, eu já estava me irritando com isso.
Educadamente, abri um sorrisinho como se eu estivesse sensibilizada com a irritação da mulher. Ela, talvez encontrando em mim a única alternativa para se livrar daquele tédio também irritante, se levantou da cadeira e veio se sentar ao meu lado e disparou a falar como um papagaio soluçando.
E o engraçado é que as coisas mais comuns que acontecem na minha vida são tão intrigantes, condizem sempre com o momento que eu estou vivenciando. Bom, o assunto dessa mulher era justamente algo que eu estava pensando no dia anterior. Ela veio me dizer que outro dia, numa outra clínica, numa outra sala de espera, aparecera um homem cujas descrições físicas soaram um tanto quanto bizarras. Como isso aqui não se trata de um conto ou um ensaio para um romance, decido poupar essas descrições. Eu sei que este homem falava alto e segundo o que a mulher interpretou, ele era professor, não se sabe de onde e de quê. Ela disse que segundo o que ouvira, ele tinha feito doutorado em Teologia no exterior. Me disse também, não com estas palavras, que ele começara com assuntos bastante polêmicos, que tratavam sobre religião. Segundo ela, o interlocutor desse homem era outro cara que também parecia ser professor. E então ele começou a falar sobre a Bíblia, sobre Jesus, sobre a história da humanidade, enfim... E para ela, esse assunto estava insuportável devido à forma como o homem erguia a voz ao conversar, sobrepondo-se a qualquer possível roído que viesse a mudar a cena daquele lugar.
Outro dia volto a falar sobre o que ele disse sobre Jesus, porque o meu foco agora não é esse.
Bom, no final das contas, segundo o que eu ouvia da mulher, este homem falara também da importância das mulheres, o quão maravilhosas elas são, e o quanto elas estão num patamar mais avançado em relação aos homens. Ele disse que as mulheres são o próprio Deus, que elas têm uma força inigualável e que os homens têm por obrigação tratá-las da melhor forma possível, venerá-las. Somente o fato de elas terem a graça de conceder novas vidas, já é uma virtude maravilhosa. E ele havia trabalhado esse assunto com argumentos muito interessantes, que infelizmente não me recordo no momento. Eu só sei que no meio da fala incontrolável da minha informante, a recepcionista chamou o seu nome e ela de repente se levantou da cadeira, abriu um sorrisinho apressado e disse: Tchau.
Depois disso, fiquei pensando em tudo o que ela havia me falado. Ela disse que quando uma pessoa estuda demais ou sabe demais, acaba ficando burra. Fica burra por estar cega diante de tudo o que lhe disserem, já que com todo o conhecimento que ela [a pessoa] adquiriu, tem como impulso natural a impressão de que tudo o que vem dos outros parece não ter consistência, parece se tornar vago ou irrelevante. E era justamente nisso que eu estava pensando no dia anterior. Eu acho que usei muito as expressões 'tudo' e 'todo', mas preciso escrever tudo sem pensar muito, porque senão acabo não concluindo a idéia da forma que eu queria. Pois então, a idéia é simplesmente o fato de que eu fico imaginando até aonde as pessoas chegam com o conhecimento. Até aonde eu posso chegar com as minhas aspirações e desejos de ser uma pessoa portadora de uma infinidade de graduações? Será que é isso o que vale na vida?
Bom, aproveitando a oportunidade e tentando fundir dois assuntos num só, ainda mais pelo fato de que hoje é o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, quero dizer aos homens que venham a ler este post, que valorizem as suas mulheres. Valorizem sua mãe, sua avó, suas tias, suas irmãs, sua[s] namorada[s], suas professoras... Valorizem-nas, pois elas valem muito. Elas valem muito mais do que vocês possam um dia imaginar.
Para finalizar, quero dedicar este post à todas as mulheres e especialmente às duas aniversariantes de hoje, Nathalia e Fernanda, minhas grandes amigas. E também, à minha mãe, que faz aniversário amanhã.
Sim, as mulheres são importantes, mas colocá-las em um patamar superior é tolice. Simplesmente porque é muita tolice admitir que a vida é concebida exclusivamente pela mulher. Portanto, "sagrado" não é a mulher, nem o útero, mas a cópula, o surgimento do embrião, enfim, a reprodução humana (Cai-se aqui naquele velho argumento "Hoje temos tecnologia que permite que mulheres se reproduzam sem homens". Sim, tecnologia desenvolvida em boa parte por mão de obra masculina, que não descaracteriza a raça mas apenas mostra como o humano é antinatural).
ResponderExcluirQuanto ao saber demais, acumular conhecimento demais, eu faço aqui uma observação: é preciso conhecer o que é conhecimento. O conhecimento puro é impossível, visto que precisamos dos órgãos dos sentidos para obtê-los e acumular-mos. Bem como, conhecer é também um processo de refletir sobre aquilo que é sensível. Essa teoria de Sensível + Reflexão é muito difundida na tecnologia. O problema é quando se tenta conhecer algo não sensível e não-axiomática. Por exemplo, o amor, a alma humana, a origem das coisas, etc. Mesmo que a Matemática seja "não sensível", ela é ttoalmente axiomática (ou seja, existem princípios e se baseia na lógica para obter conclusões). A alma, o amor, as "coisas do coração" são também, não sensíveis, mas não possuem um ponto de partida de onde possamos conhecê-las - porque são coisas indefinidas (Defina "Alma", estime "amor" ou explique a essência das coisas - é impossível).
Eu sou da opinião que quando esses filósofos altamente especializados, teólogos de qualquer natureza, poetas e tudo mais, realizam apenas uma grande perda de tempo quando tentam trabalhar sobre esse tipo de tema, porque não há conhecimento para ser desenvolvido sobre essas coisas. Daí, eu concordo: elaborar teorias sobre essas coisas (como "A santidade da mulher", "Astrologia", "Gnose", "Teologia", etc) é desenvolver conhecimento que não tem relação nenhuma com a realidade. Mesmo na Matemática é perigoso que isso aconteça: mesmo o melhos matemático será um inútil se não conseguir relacionar o seu conhecimento com o mundo que o cerca.
Enfim, eu só queria dizer que o conhecimento deve ser algo pragmático.
Até aonde eu posso chegar com as minhas aspirações e desejos de ser uma pessoa portadora de uma infinidade de graduações? Será que é isso o que vale na vida
ResponderExcluirALELUIA !!!!
Sim, as mulheres são importantes, mas colocá-las em um patamar superior é tolice.
[2]
Há muito o que dizer sobre as mulheres e como tratá-las, achei que seria interessante postar alguma coisa no meu próprio blog sobre isso, mas em questão de segundos eu quis e desisti, acho que os pontos positivos vou guardar só pra mim, hehe.
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