Eu estava aqui escrevendo algumas coisas por obrigação e resolvi parar para escrever só um pouquinho por lazer. Hoje o pensamento é sobre abrir-se para o mundo e, sobretudo, para as pessoas. Eu sinto que um dos grandes males da vida é a falta de sensibilidade. Ser sensível acolhe um pacote de outras grandes virtudes: saber ouvir com cuidado, enxergar coisas boas naquilo que parece ser ruim, se tocar com a dor do outro, se colocar no lugar do outro, se alegrar com a alegria do outro, olhar para si mesmo com mais amor, empolgar-se sem motivo, ouvir uma música e permitir que ela te toque, derramar lágrimas sem nenhum motivo específico, dançar na frente do espelho, movimentar o corpo de dentro pra fora, olhar nos olhos do outro, intrometer-se em uma conversa banal na fila do banco para ser simpático, dizer bom dia para a moça do caixa do supermercado, pedir desculpas no trânsito, ler uma poesia com emoção, cantar loucamente no chuveiro, enfim, desenvolver outro sentido para tudo que está ao seu redor.
Isso é ser sensível. E o que sinto é que estamos perdendo tudo isso. Não conhecemos as pessoas e não fazemos questão de conhecê-las, afinal, não temos tempo a perder com desconhecidos. Eu já fiz esse exercício de puxar assunto com colegas de trabalho que quase não tenho contato e quebrei vários estereótipos. Passei a olhá-los com mais carinho, passei a enxergar melhor a sua humanidade. Mas é difícil parar, é difícil ouvir. É muito mais fácil falar freneticamente sobre milhões de assuntos desconexos e fúteis. É mais fácil falar de si mesmo, pensar em si mesmo, agir por si mesmo e lutar única e exclusivamente em prol dos interesses próprios. Afinal, “o tempo passa e se pararmos demais para ouvir as pessoas, ficamos para trás”. Isso é um engano, precisamos delas. Não porque nos devem favores, mas simplesmente porque conviver com elas nos torna maiores, mais sábios e mais humanos. E eu gostaria muito de parar para conversar olhando nos olhos de cada um desses amigos que tenho aqui no facebook. Tenho certeza que seria uma aula para a vida toda.
A emoção pode gerar dor, mas também é cura. E o que falta é isso: emocionar-se, sentir, olhar para dentro, calar-se, observar o mundo ao redor com atenção. Sofrer em silêncio e, depois, sentir o gozo da superação, da evolução. Mas não suportamos o silêncio, não conseguimos lidar com a solidão. Nos tornamos frios, vazios, precisamos estar sempre cercados de pessoas, barulho, lugares, festas, drogas... E se não temos ninguém, nos mostramos para o mundo por meio das redes sociais. Mas jamais queremos mostrar nossas fraquezas, apenas a nossa glória, nossas alegrias e benfeitorias. E estamos sempre prontos para criticar tudo e todos, estamos prontos para ofender, ferir, magoar, agredir. E por que somos assim? Não temos sensibilidade, não temos amor, não conseguimos nos colocar no lugar do outro, estamos cheios demais de “si mesmo”.
E a pergunta que fica é: Quem é você diante da imensidão desse universo?
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