Hoje me deu vontade de escrever
coisas banais que não devam, necessariamente, culminar em algum tipo de
reflexão e nem que sejam bonitas para ler. Gostaria de fazer alguns pequenos relatos
apenas para ficar registrado aqui. Após 8 anos de blog, hoje percebo que não há
exercício melhor para conhecer a mim mesma do que ler esses diversos registros
que deixei aqui ao longo desse tempo. Eu não sei, me sinto muito saudosista.
Tenho saudade de tudo, me prendo demais ao meu passado, sempre recorro a fotografias,
textos, cartas antigas e até músicas para tentar trazer à mente pedaços de uma
Naiá antiga que justifiquem esta nova (que na verdade, está ficando velha). Hoje
adquiri essa convicção, antes eu escrevia sem um propósito direcionado. Hoje
escrevo para registrar e me conhecer melhor. Tenho um segredo: também faço
vídeos sempre. Mas esses eu guardo comigo.
Ao escrever esta frase sobre esta
Naiá antiga, acabou de saltar à minha mente uma pequena tese: o tempo é um
eterno paradoxo. O que eu era se tornou antigo e o que eu sou é novo. Mas estou
mais velha, vez ou outra identifico algumas rugas no meu rosto e alguns fios de
cabelo branco e me sinto estranha por isso. Em contrapartida, nunca tive uma
versão tão nova de mim mesma. Isso é o presente: é sentir as marcas do tempo no
corpo e a cada dia ser MAIS, ser a versão mais nova de mim mesma, ser mais
madura, mais segura de mim mesma, mais satisfeita com a minha vida e as pessoas
que estão ao meu redor, mais tolerante. Isso é o novo pulsando dentro de mim.
Todavia, estou mais velha. Engraçado, não é?
Anteontem fiz aniversário, foi um
dia muito estranho. Não sei, as coisas não são mais como antigamente. Eu não
gosto muito do dia do meu aniversário. A parte que gosto é quando recebo as
várias mensagens das pessoas que considero ou às vezes sou surpreendida com
felicitações de pessoas que eu não esperava. Mas de modo geral, é um dia meio sombrio,
cheio de introspecção. E agora estou com 26 anos. Isso me assusta um pouco,
estou mais próxima dos 30. Não sou mais criança, não sou nem mais mocinha. Sou
adulta. Meus alunos, quando se referem a mim, me chamam de senhora: “- Professora,
a senhora vai aplicar prova que dia?” Eu sei que é apenas um sinal de respeito,
pelo menos quero acreditar nisso. Mas tudo é diferente. Já faz quatro anos que
terminei a Educação Física, já tem quase um ano que terminei minha
especialização, às vezes encontro alguns ex-alunos que eram criancinhas quando
foram meus alunos e agora já estão moças e rapazes. Eu não pensava que eu fosse
passar por tudo isso tão rápido.
Mas enfim, estou passando. E às
vezes traz uma dorzinha de existir ao pensar em tudo isso. Agora são várias as
etapas que ainda me esperam. Eu ainda preciso continuar meus estudos, preciso
ser mãe, acho que quero me casar. Sou meio tendenciosa a concordar sempre com
tudo que está na contramão. Acho que o errado sempre me seduziu um pouco, mas
minha vida foi toda certa até agora. Não tive forças para ser tão contestadora.
Mas o casamento, por mais que esteja de acordo com todos os padrões, é algo que
me seduz também. Eu consigo pensar sobre todas as dificuldades e conflitos que
existem em uma relação como essa, mas é algo que eu quero muito viver. Quero
passar por isso. E mais do que qualquer outra coisa, quero muito ser mãe. Não
sei se estou no caminho certo, não sei se estou plantando as sementes para
colher isso mais tarde. O que sei é que fico confusa, sinto que terei de abrir
mão de milhares de coisas que eu gosto e que me fazem ser o que eu sou. E nisso,
tenho medo de me perder. Mas para quem está disposto a viver sempre o novo, que
seja lançado o desafio.
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