sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Viajar

Seguindo a perspectiva da postagem anterior, hoje venho novamente para fazer um relato. Relato de experiências boas, assim avalio. Quero falar sobre algo que transborda a vida: viajar. Semana passada fui para Vitória-ES. O objetivo era participar de um Congresso que gosto muito, o CONBRACE (Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte). Mas é claro que foi também um pretexto para conhecer outro lugar, outras pessoas, viver novas experiências e me enriquecer de alguma forma. E foi exatamente isso que aconteceu.

Eu nunca fui de desapegar do meu ninho, da minha vida, das minhas raízes, do meu lugar nesse mundo. Então, um dia eu resolvi chutar o pau da barraca e ir viajar sozinha, também para esse congresso. Era em Porto Alegre. Foi um desafio muito grande: era a primeira vez que eu saía da barra da saia da minha mãe para longe (sempre fui muito protegida, às vezes me pergunto se sou mimada. Não sei, quero acreditar que não). Era a primeira vez que eu viajava de avião, primeira vez que eu ficava fora de casa tanto tempo (uma semana). Primeira vez que eu ficava hospedada em um hostel, um lugar cheio de pessoas desconhecidas. E o melhor: era a primeira vez que eu fazia tudo isso com meu próprio dinheiro (que era escasso e ainda é, mas era meu). Enfim, foi a “primeira vez” em vários aspectos. Essa viagem foi o divisor de águas para que eu passasse a enxergar o mundo com outros olhos e para que eu me sentisse mais encorajada e determinada. E então tive uma certeza na vida a partir dessa experiência: quero viajar! Conheci muitas pessoas, me diverti, aprendi, me senti sozinha em alguns momentos, tive mais certeza sobre o quanto eu amava minha família e meu lar.

E então tive a oportunidade de viver outras experiências. Fui para a Itália. Essa sim foi a viagem dos sonhos. Eu me senti a pessoa mais feliz e realizada do universo. Era um outro mundo, outras pessoas, outra cultura, outra língua... após 12 horas de viagem, aterrissei em Paris, para depois ir para a Itália. Eu simplesmente não acreditei que eu estava lá. Não deu para sair do aeroporto, mas o primeiro impacto foi esse nome: Paris. Eu me senti realmente um grão de areia, eu era uma ninguém, um nada nessa vida. E me sentir assim foi incrível! Tão engraçado, porque foi exatamente esse sentimento que me fez pensar sobre o quanto eu tinha potencial em mim, sobre o quanto eu podia viver ainda, sobre o quanto eu tinha para aprender. E isso me fez querer viver cada vez mais. Fiquei pouco tempo lá, mas conheci lugares inimagináveis. Sempre quando fico triste e desestimulada, tento me lembrar dessa experiência para que sirva de consolo e para que eu me lembre que “o mundo é tão grande”.


E então fiz algumas outras pequenas viagens, mas todas elas muito significativas. Dessa vez, fui para Vitória e o sentimento foi muito semelhante: “o mundo é tão grande”. Conheci pessoas incríveis, paisagens maravilhosas, lugares encantadores e hoje encontro-me verdadeiramente inspirada para continuar lutando por tudo aquilo que acredito. Dessa vez, voltar me fez refletir muito. Quando cheguei em casa, me dei conta sobre o quanto é maravilhoso chegar e ser recebida por uma família que me ama. Eu posso até parecer meio desapegada de algumas coisas, e sou. Mas não conseguiria ir embora e ficar por lá. Acho que a volta é mais bonita. Afinal, eu tenho para onde voltar, eu tenho para quem voltar. Mas para me dar conta disso, é preciso simplesmente ir embora de vez em quando. E assim é a vida, cada um busca aquilo que lhe compete (ou pelo menos aquilo que acredita que pode). Eu tenho acreditado que posso muito, e penso que isso não é pedantismo, não é ser prepotente. Afinal, para que eu pudesse descobrir isso, houve muita dor. E ainda haverá muita dor, mas estou disposta a sentir o sangue da vida pulsando em minhas veias. 

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