Seguindo a perspectiva da
postagem anterior, hoje venho novamente para fazer um relato. Relato de
experiências boas, assim avalio. Quero falar sobre algo que transborda a vida:
viajar. Semana passada fui para Vitória-ES. O objetivo era participar de um
Congresso que gosto muito, o CONBRACE (Congresso Brasileiro de Ciências do
Esporte). Mas é claro que foi também um pretexto para conhecer outro lugar,
outras pessoas, viver novas experiências e me enriquecer de alguma forma. E foi
exatamente isso que aconteceu.
Eu nunca fui de desapegar do meu
ninho, da minha vida, das minhas raízes, do meu lugar nesse mundo. Então, um
dia eu resolvi chutar o pau da barraca e ir viajar sozinha, também para esse congresso.
Era em Porto Alegre. Foi um desafio muito grande: era a primeira vez que eu
saía da barra da saia da minha mãe para longe (sempre fui muito protegida, às
vezes me pergunto se sou mimada. Não sei, quero acreditar que não). Era a primeira
vez que eu viajava de avião, primeira vez que eu ficava fora de casa tanto
tempo (uma semana). Primeira vez que eu ficava hospedada em um hostel, um lugar
cheio de pessoas desconhecidas. E o melhor: era a primeira vez que eu fazia tudo
isso com meu próprio dinheiro (que era escasso e ainda é, mas era meu). Enfim, foi
a “primeira vez” em vários aspectos. Essa viagem foi o divisor de águas para
que eu passasse a enxergar o mundo com outros olhos e para que eu me sentisse
mais encorajada e determinada. E então tive uma certeza na vida a partir dessa
experiência: quero viajar! Conheci muitas pessoas, me diverti, aprendi, me senti
sozinha em alguns momentos, tive mais certeza sobre o quanto eu amava minha
família e meu lar.
E então tive a oportunidade de
viver outras experiências. Fui para a Itália. Essa sim foi a viagem dos sonhos.
Eu me senti a pessoa mais feliz e realizada do universo. Era um outro mundo,
outras pessoas, outra cultura, outra língua... após 12 horas de viagem, aterrissei
em Paris, para depois ir para a Itália. Eu simplesmente não acreditei que eu
estava lá. Não deu para sair do aeroporto, mas o primeiro impacto foi esse
nome: Paris. Eu me senti realmente um grão de areia, eu era uma ninguém, um
nada nessa vida. E me sentir assim foi incrível! Tão engraçado, porque foi exatamente
esse sentimento que me fez pensar sobre o quanto eu tinha potencial em mim,
sobre o quanto eu podia viver ainda, sobre o quanto eu tinha para aprender. E
isso me fez querer viver cada vez mais. Fiquei pouco tempo lá, mas conheci
lugares inimagináveis. Sempre quando fico triste e desestimulada, tento me lembrar
dessa experiência para que sirva de consolo e para que eu me lembre que “o
mundo é tão grande”.
E então fiz algumas outras
pequenas viagens, mas todas elas muito significativas. Dessa vez, fui para
Vitória e o sentimento foi muito semelhante: “o mundo é tão grande”. Conheci
pessoas incríveis, paisagens maravilhosas, lugares encantadores e hoje
encontro-me verdadeiramente inspirada para continuar lutando por tudo aquilo
que acredito. Dessa vez, voltar me fez refletir muito. Quando cheguei em casa,
me dei conta sobre o quanto é maravilhoso chegar e ser recebida por uma família
que me ama. Eu posso até parecer meio desapegada de algumas coisas, e sou. Mas
não conseguiria ir embora e ficar por lá. Acho que a volta é mais bonita.
Afinal, eu tenho para onde voltar, eu tenho para quem voltar. Mas para me dar
conta disso, é preciso simplesmente ir embora de vez em quando. E assim é a
vida, cada um busca aquilo que lhe compete (ou pelo menos aquilo que acredita
que pode). Eu tenho acreditado que posso muito, e penso que isso não é
pedantismo, não é ser prepotente. Afinal, para que eu pudesse descobrir isso, houve
muita dor. E ainda haverá muita dor, mas estou disposta a sentir o sangue da
vida pulsando em minhas veias.
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