Hoje é dia de halloween e o caráter sombrio do dia coincide com a notícia também sombria e triste sobre o final das minhas férias. Mentira, halloween para mim não significa absolutamente nada! Já as férias... ah, essas significam muito, mas não é sombrio nem triste o fato de elas estarem terminando. É natural, necessário. Férias em outubro, isso mesmo. Vida em movimento, novas possibilidades. Mudei de emprego, estou ausente da escola este ano. Não sei ainda o que pensar sobre isso, acho que estou só sentindo por enquanto. E me sinto desafiada e feliz em estar vivendo essa experiência na secretaria municipal de saúde. Tem sido um bom trabalho. Mas seria bom se eu pudesse conciliar com a escola também. Vamos ver o que a vida reserva para o próximo ano.
Durante as férias todas fiquei pensando em escrever algo aqui, mas procrastinei. Na verdade, fiz muito e não fiz nada. Foi um momento muito rico para mim. Diante de tantas atrocidades políticas que têm acontecido nos últimos tempos em nosso país, tenho medo de dentro em breve não termos mais o direito legítimo de usufruir das férias (nem nós, funcionários públicos). E esse momento de descanso é tão necessário para a nossa saúde, tão precioso! Para mim, particularmente, é imprescindível, porque são esses momentos “ociosos” que proporcionam em mim uma sede de reflexão e de aprofundamento em mim mesma. E isso me transforma sempre. Eu adoro.
Mas neste ano foi tudo diferente, tirar férias não teve esse caráter lúdico e descompromissado. Tirei férias para estudar, para produzir, para escrever a minha dissertação do mestrado. Produzi? Que nada! Mas foi muito oportuno, pude ler bastante, escrevi um artigo com uma amiga que me fez aprender muito. Mas a sensação de que eu deveria estar fazendo muito mais me acompanhou fielmente durante esses trinta dias, mesmo que eu tenha lutado contra! A vida acadêmica tem me inspirado muito, percebo que cresci 5 anos em 2, conheci pessoas fantásticas, me aproximei de um universo muito enriquecedor, provei muitas coisas para mim mesma, me senti persistente e guerreira, aprendi grandes teorias e me senti mais potente, mais capaz e hoje acredito mais em mim mesma, apesar de meu orientador me dizer em todos os encontros que eu preciso ser mais segura. Não há limites para o crescimento intelectual, essa é a constatação que tive nesses últimos dois anos.
Por outro lado, quero falar um pouco sobre a reviravolta psicológica que essa vida acadêmica traz como desafio: é uma goteira de ácido pingando na cabeça de 10 em 10 minutos, causando um incômodo chato e constante. É uma sensação de que tudo que eu faço é pouco, é pequeno e precisa melhorar. É um compromisso que condiciona meus projetos futuros de vida, que me martiriza e me traz um desespero perene de que preciso me esforçar mais, me empenhar mais e fazer melhor o que eu tenho feito. Durante os últimos dois anos, pensei muito que eu poderia lutar por uma licença, que eu gostaria muito de ficar absolutamente dedicada ao estudo, mas hoje percebo que se eu estivesse de licença, esse sentimento de frustração seria ainda pior, porque aí a procrastinação seria bonita! E a frase “Você não faz nada, só estuda, cria vergonha!” iria me enlouquecer a cada dia.
Na verdade, os mecanismos psicológicos que essa fase tem ocasionado em mim são muito mais profundos, mas não consigo explicar agora e estou com preguiça de pensar em metáforas e firulas, como às vezes faço por aqui para relatar minhas percepções subjetivas. Eu sei que está passando, está quase no fim. Eu ainda não escrevi quase nada, mas até o meio do ano que vem, essa dissertação vai sair! Eu sei que talvez não será com a qualidade que eu sonhei, mas sairá! Precisa sair. E o que significará ser uma mestre? Não sei... meu orientador me fala que eu preciso ser uma boa mestre na minha prática social e não apenas no papel. Concordo com ele. Isso já me mostra muito sobre o que deve significar ser uma mestre.
Às vezes concordo com o meu pai quando ele me diz que escolhi um caminho difícil demais. Ele tem razão... mas é um caminho que traz a possibilidade de desenvolver ao máximo as potencialidades humanas. E eu acredito que é apenas por meio do estudo que as pessoas se tornam livres e emancipadas. Dentro em breve, que venha o doutorado! E que toda essa trajetória possa contribuir de alguma forma com o mundo, nem que seja na dimensão do meu mísero mundinho!
O caminho é e sempre será árduo, mas a vista pode ter certeza que será maravilhosa ! Sucesso .
ResponderExcluirObrigada pela força! :)
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